UM POUCO DE BIOGRAFIA
- Sábado, Agosto 22, 2009, 8:42
- Cidade a Tossir
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Chegados a este ponto, impõe-se que percamos algum tempo com alguns elementos biográficos do nosso bom Baltazar. Tanto quanto pudemos apurar, o pai era um modesto produtor de azeite que perdia no jogo praticamente tudo quanto ganhava. O primeiro bem que perdeu acabou por ser a mulher. Farta de cantigas, partiu para Nenhures deixando para trás marido e filhos. O pai de Baltazar ia morrendo de desgosto, mas como o desgosto não mata intentou suicídio com a pretensão de reconquistar a mulher à custa de piedade e aflição. A dose de veneno acabou por ser fatal. O pai do nosso herói faleceu espumando da boca com os filhos em redor.
No momento em que perdia o seu segundo bem, a própria vida, escutaram-lhe uma derradeira confissão: era só para saber se ela ainda me amava. Não amava mas regressou, para criar os filhos até estes se espalharem pelas sete caudas do mundo. Baltazar ficou-se pela cauda mais pequena, tendo passado a maior parte dos anos de juventude a ouvir os The Doors, a seguir séries televisivas e a fumar charros de hidroerva. Além disto, pouco mais sabemos. O negócio dos pombos surgiu-lhe após várias incursões desditosas pelo mundo do trabalho. Para onde quer que se virasse, o azar perseguia-o como uma doméstica fatalidade. Seria lícito perguntar o que fez para viver. Seria, tivesse ele vivido. Podemos apenas afiançar que durante vários anos falhou em todas as actividades em que se metera, desde elaborar signos em jornais locais a vender produtos de beleza por telemarketing. Foi-lhe reconhecido mérito com os signos, até alguém ter descoberto que as previsões não passavam de colagens de trechos recortados de outras páginas de signos publicadas em variadíssimos jornais e revistas de diversas épocas. O negócio dos pombos surgiu-lhe por mero acaso, depois do pombo Benjamim ter poisado no beiral da janela da sala onde Baltazar assistia a um episódio de Uma Casa na Pradaria. Conta-se que o pombo Benjamim desertara do antigo pombal depois de lhe terem chamado Colombo da orientação. Ora, todos sabemos das imprecisões geográficas de Colombo e se há característica que não lhe pode ser gabada é o sentido de orientação. Não admira, pois, que o pombo-correio tivesse tomado por insulto o que era para ser um elogio. E deste equívoco veio a nascer o ganha-pão de Baltazar.











grande Balta…
abraços,
Gusta