UMA DÚVIDA
- Sábado, Novembro 14, 2009, 17:30
- Cidade a Tossir
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Baltazar precisava de esclarecer uma dúvida com Branca. Ligou-se ao MSN e enviou-lhe uma mensagem a perguntar-lhe se ela estava ali, ao que ela respondeu prontamente que não, e então Baltazar questionou-se como era possível ela não estar ali e ter-lhe respondido, e enquanto Baltazar se questionava, Branca disse-lhe que estava a brincar, desenhando um boneco amarelo com um sorriso de orelha a orelha que fez Baltazar lembrar-se dos melões de Branca.
Baltazar perguntou se O Segredo podia ajudar uma pessoa a ser como outra pessoa. Branca julgou que era ela a outra pessoa a quem Baltazar se referia, pensou que Baltazar tinha ficado tão impressionado com a sua pessoa que queria ser como ela, sentiu nas palavras de Baltazar uma declaração de amor, mas Baltazar pensava no Tarzan, ele apenas queria ser como o Tarzan para poder falar com o pombo Benjamim. Branca respondeu-lhe que sim, claro que sim, O Segredo podia ajudá-lo, e com um ar comovido (o ar comovido, no MSN, deduz-se das palavras comovidas empregadas por cada um dos comunicantes), disse-lhe que antes de ele querer ser como ela, ela tinha de confessar-lhe uma coisa. Baltazar não entendeu as palavras de Branca – por que razão quereria ele ser como alguém com melões no peito e abóboras no cu? –, mas ela, que tinha uma auto-estima muito sedimentada pelas leituras de livros de auto-ajuda, julgava que sim, que ele queria ser como ela. Pensava Baltazar no que podia estar a acontecer na cabeça de Branca, quando esta lhe confessou o seu segredo: eu não me chamo Branca, eu chamo-mo Bianca, mas como Bianca parece-me nome de cadela, prefiro que me chamem Branca. Baltazar respondeu que gostava de poder falar com cadelas, que Branca era um lindo nome, lembrava-lhe a expressão “tive uma branca”. E com isto o coração de Branca derreteu-se (via MSN), tudo aquilo lhe parecia poesia, ela julgava que ele estava a dizer-lhe que queria tê-la e que, ao falar com ela, no fundo, era como se estivesse a falar com uma cadela. Fez-se entre os dois um silêncio apenas quebrado quando Branca, num indómito arrebatamento, disse: sou tua, poeta, sou tua. Baltazar ficou atónito, pensou que o chá de erva-cidreira produzira efeitos alucinatórios em Branca, ou Bianca, ou lá o que fosse. Enrolou um charro de hidroerva e disse que queria poder falar com o pombo Benjamim, que estava a fazer-se tarde e que no dia seguinte tinha de ir comprar ração para o pombo.










