“A Cidade” – …que se nunca dorme, devia

cartao rafael contra “A Cidade”   …que se nunca dorme, deviaCONTRA PICADO/GF – Estive a pensar, durante largos minutos – que apenas por acaso coincidiram com uma ida minha à casa de banho – sobre qual seria o equivalente do Ben Affleck para o universo português. Depois de um gloriosos 4 minutos e meio – e a devida lavagem de mãos – apercebi-me de quem seria. Sendo menos jovem do que gostaria, celebridade sem razão aparente e inexplicavelmente considerado um sex symbol: O Ben Affleck português é o Pedro Granger. Agora imaginem que o Pedro Granger realizava um filme sobre um bando de assaltantes de bancos que moram na Amadora. Faz sentido? Não. Primeiro porque o Ben Affleck tem tanta destreza e capacidade para realizar cinema como o Pedro Granger tem para ler telepontos. E depois porque um filme sobre criminosos que assaltam bancos filmado por um betinho é algo que tão verosímil como quando o Cavaco sorri.

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Não se deixe enganar pela freira. Depois do filme não há redenção.

“A Cidade” tem tanto de Ben Affleck que me parece perigoso sequer reconhecer que existe. O homem escreve, realiza e protagoniza o filme. Desde o gajo que se esqueceu de um reactor ligado em Chernobyl que uma pessoa não tinha tanta culpa em tão grave acidente. Se quer de facto ir ver este filme, fique sabendo que pode acabar nas notícias. Não porque fica com algum problema de saúde, ou porque acaba o filme com vontade de assaltar um banco mas porque todos os espectadores na sua sala terão de ser resgatados do local, um a um, puxados por uma gaiola através de um buraco no tecto.

Em relação ao meu conselho cinematográfico desta semana, vou permanecer dentro do tema “bancos”. Em 1998, Carlos Ávila Pereira, um minhoto talhante desempregado quis pedir um empréstimo para comprar uma máquina de costura Singer dos anos 20. Ao ver o seu pedido recusado pelo banco, resolveu realizar o documentário “Carimbo 27 na Portaria 2”. “Carimbo 27 na Portaria 2” acompanha o percurso de um formulário 196-A dentro de um banco, desde o seu preenchimento por um cliente anónimo até ser processado e aceite. Tem 10 horas e meia e demorou 17 anos a ser filmado.

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