“A Ressaca”: uma sebenta pseudo-cinematográfica que reúne todas as piadas de Hollywood que nunca resultaram, e ainda tem coragem de criar umas novas piores
- Quinta-feira, Junho 18, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de me estar a assoar a uma lixa de madeira industrial, com cerca de 200 piranhas a roerem-me os pés, enquanto tentava sobreviver num moche de um concerto de slikpnot acompanhado em ecrãs gigantes pelo tempo de antena do CDS/PP. Uma despedida de solteiro, uma bebedeira, uma viagem pelo país, Las Vegas, quatro amigos divertidos, um tigre na casa de banho, um bebé desconhecido, a polícia e um noivo desaparecido. Se esta lista não resume todas as comédias americanas para adolescentes da história da humanidade é porque o Adam Sandler e o Ben Stiller não acabaram a carreira por aqui. Estas comédias americanas começam cada vez mais a parecer o Benfica. Por muito que se mudem as caras e os locais, o resultado é sempre o mesmo: pútrido e previsível. Não vale a pena irem buscar caras

Com “ressaca” fiquei eu, que vou ter de ir à cinemateca fazer uma maratona de Goddard, Truffaut e Fassbinder depois de ver isto…
conhecidas de programas de comédia para fazerem estes filmes. Se eles não conseguem ter piada lá, também não vão ter aqui, em 24 frames por segundo. Ainda para mais estes americanos são espertos. O tema do álcool é como uma pastilha elástica. Agrada a milhares de jovens que se vão divertir sempre com a mesma coisa, sem se aperceberem que bem mastigado é repetitivo e sem sabor. A ressaca é um momento deprimente, que relembra ao ser humano a sua fragilidade, a sua pequenez perante os vícios e as emoções que nos controlam, gozam e nos podem destruir. Que tem isto a ver com tigres em casas de banho de hotéis? Ou pessoas sem dentes? Isso é a facilidade do humor. Para quê fazer pensar? Fazer sentir? Porque não pôr vómito, nudez e Las Vegas na mesma imagem e esperar que o QI do espectador continue o seu Bunjee Jumping? Aliás, até acrescento, eu acho que ver este filme chega mesmo a fazer mal à nossa saúde mental. Se há experiência traumática grave que nos pode levar à loucura e à desorientação sensorial permanente, é ver o Mike Tyson a dançar e a cantar “In the Air tonight” do Phil Colins. Tive de medir a minha pulsação e respirar fundo depois daquela cena porque não me calhava nada bem ter um AVC intelectual a meio do filme.










