“Bem-vindos à Zombieland” – Uma terra que tem tanto de pulsação como de talento
- Quinta-feira, Dezembro 10, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque, Exclusivo
- 138 visualizações
- Comentar
CONTRA PICADO/GF – A sensação que tive ao ver este filme foi a mesma de estar a fazer uma maratona de 400 km, num deserto, no pico do verão, totalmente equipado para fazer ski, com três borbulhas rebentadas numa virilha e uma mochila às costas que carrega toda a obra literária de Stephenie Meyer, desde a “Lua Nova” ao “Crepúsculo”. Se na actual crise mundial a culpa é das grandes superpotências e se no mercado de emprego a culpa é dos governantes, no cinema, a culpa de existirem zombies é de apenas um homem: Romero. Com nome de cantor romântico sul-americano, este homem consegui contaminar o mundo com zombies exactamente como fez nos seus filmes. E eu sem perceber o fascínio. Porquê mortos-vivos? Basta olharmos para a rua ou para os castings do programa “Ídolos” para vermos pessoas que estão mortas por dentro. Já foram a uma loja do cidadão às 9h da manhã? Tem mais mortos-vivos, mais perigo e mais qualidade que este filme.

O filme é como os carrosséis nos parques de diversões: previsível, chato e carregado de doenças estranhas
Só não é tão chato e sem piada. Vou resumir esta história (e todos os outros filmes de zombies alguma vez feitos): O mundo está alegre, aparecem os zombies, o mundo está mal, é capaz de apenas sobreviver um. Fim. Não interessa se as pessoas que fogem são gordas, magras, medricas, de direita ou fãs do Leonard Coen. O esquema é tão previsível como o desfecho dos processos judiciais em Portugal. Sempre igual. E sempre sem efeito. A única coisa verdadeiramente “morta” que aparece no ecrã é o Woody Harrelson, que depois de fazer o “2012” e o “Austin Powers”, anda a arrastar-se pelo cinema até alguém lhe rebentar a testa. Dos outros actores nem falo. Precisava de os ter distinguido de quem estava morto no cenário. Um conselho a todos aqueles que querem ver este filme ou fazer o seu próprio com zombies: não façam. A ironia de se arrastarem pela vida sem sentido antes de terem essa ideia já faz de vocês um morto-vivo o suficiente. Mas se gostam de “zombies”, não se esqueçam de ir às compras de natal e olhar para os corredores dos centros comerciais. Joguem um jogo chamado “quem é mais igual a um morto-vivo?”. É divertido. Se levarem uma caçadeira de canos cerrados.










