“Harry Potter e o Príncipe Misterioso”: mais uma dose cavalar de cocaína juvenil para se esquecerem as más notas nos exames
- Quinta-feira, Julho 16, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque, Exclusivo
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de cair de umas escadas abaixo, com a cabeça dentro de um saco de plástico fechado, com as mãos algemadas aos pés pelas costas, enquanto crianças na idade dos porquês me perseguiam. Sabem o que fazem os vendedores de droga aos compradores novos? Dão uma primeira dose grátis, deixam que eles se viciem e depois cobram dinheiro pelas seguintes compras, a que estes já não conseguem fugir. É um processo nojento e decadente que leva um ser humano ao mais baixo nível de humanidade. E é isto, sem tirar nem pôr, que J. K. Rowling faz com Harry Potter e os seus jovens leitores. Primeiro livro da saga: 300 páginas; último livro da saga: 1000 páginas. Isto não é mais que um processo de viciação num produto. Uma criança acompanha um Harry Potter panhonha e imberbe no primeiro livro e, assim o acaba de ler, está viciado numa droga que o destruirá por mais milhares de páginas fora, até ao último livro da saga em que acompanha um Harry Potter ainda virgem e parvo. Já que o acompanhámos em 7 anos de escola, será que vamos ser obrigado a acompanhar o Harry Potter no desemprego, no MacDonald’s, na segurança social a desculpar dívidas e depois num beco escuro dentro de caixa de cartão a dormir?
Haverá livros por cada ano da vida do pequeno e irritante feiticeiro? Então por favor dêem-lhe vontade própria. O rapazinho é um pãozinho sem sal maior que as apresentadoras dos concursos das madrugadas da televisão portuguesa. Não preciso de um 6º filme. Não preciso de um 8º livro. Não preciso de uma 11º tentativa de suicídio ao ouvir falar de mais um milhão que a senhora “J. K. tenho-mais-dinheiro-que-a-rainha-de-Inglaterra Rowling” tem na conta bancária. Poupem-nos a mais passadeiras vermelhas com actores que ainda nem acne tiveram. Poupem-nos a mais Voldemorts a serem muito maus e a Dumbeldores a serem muito gays. Querem dar magia ás nossas crianças, dêem-lhes o “Fantasia” da Disney, não lhes dêem produções de Hollywood que servem apenas para os actores que lá entram perderem a virgindade uns com os outros. O Harry Potter tem uma cicatriz na testa. Eu depois de ver o filme tenho na carteira. Nos olhos. E no bom senso.











