“Ice Age 3”: Uma terceira repetição pouco “animada” feita de pura ociosidade, e que domina mentes podres dos 9 aos 99
- Quinta-feira, Julho 2, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de engolir ácido sulfúrico por copos de shot, ao som de um concerto ao vivo dos EZ Special, enquanto ia no banco de trás de um táxi conduzido por um neo-nazi bêbado e revivalista com vontade de escrutinar os problemas do Benfica. Parece que o cinema de animação veio para ficar. É como o vírus H1N1 ou a saga do “High School Musical”, em iguais níveis de terror e pandemia. Até já ganha prémios e abre festivais pelo mundo, como mencionei e sofri há uns meses atrás. O problema do cinema de animação, além da sua exagerada infantilidade e uso de cor, é apenas um: é um hino à ociosidade e ao americanismo. “Ice Age 3” é uma segunda sequela porque é irritantemente fácil de fazer. Enquanto Godard, Truffaut e até De Sica, andaram pelas ruas das suas cidades de câmara e espondilose às costas, estes americanos nem de uma cadeira se levantam para fazer um filme.

Ice Age 3” é um LSD que os pais enfiam pela garganta dos filhos a baixo
É tudo feito com píxeis, clicks de rato e contas de Internet por pagar, executado no mesmo computador onde jogam poker online e vêem umas fotos de mulheres despidas e disponíveis. Cinema de animação, sejam cowboys com problemas existenciais levantados por Astronautas esquizofrénicos ou orcs verdes com sotaque que descobrem o amor verdadeiro em princesas ex-namoradas do Leonardo Di Caprio, é, e sempre será, um hino à ociosidade e à facilidade de fazer cinema. A única coisa que o cinema de animação consegue fazer é encher as salas de cinema de crianças barulhentas, sujas e excitadas que em nada procuram ver o filme. E os pais gostam, porque com os filhos dentro da “sala de cinema”/”solitária”, podem ir beber mais um copo destruindo despreocupadamente a nossa juventude, um animal do pré-histórico animado de cada vez. Dinossauros, tigres dentes-de-sabre ou mamutes com vozes irritantes não são a maneira certa de falar de aquecimento global ou da evolução das espécies. São a maneira certa de falar de suicídio e de depressão pós-filme. E nem me peçam para falar dos adultos que também vêem e gostam deste filme, porque aí teria de estar na presença de um advogado e de uma equipa de psicólogos especializados em traumas profundos e crónicos.










