“Loucos e Fãs” – um título que teria ainda “virgens e masturbadores” se não ficasse longo demais

cartao rafael contra “Loucos e Fãs” – um título que teria ainda “virgens e masturbadores” se não ficasse longo demaisCONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar no centro de um recinto de carrinhos de choque, a ser colhido nos testículos por um carro a toda a velocidade conduzido por Maitê Proença, enquanto o novo gingle do Pingo Doce toca em loop nas colunas do espaço. Para quem não conhece, e é bem mais feliz por isso, o “geek”/”nerd”/”virgem borbulhento” é uma espécie que precisa de ser examinada e explicada para ser percebida. E que fique notado que apenas faço este esforço hercúleo de os explicar porque podemos aprender muito com eles, para por exemplo, sabermos como se pode viver sem luz solar e sem sexo e mesmo assim durar tanto como qualquer outro ser humano. Esta espécie de “humanóide” vive normalmente em caves, ou da casa dos pais ou dos avós; alimenta-se de fast food ou de cereais em caixas coloridas; ouve música mais ou menos pesada e electrónica, de preferência cantada em japonês; não interage com outros seres humanos a não ser através de microfones para coordenar ataques militares em jogos interactivos na internet; e já viu tantas vaginas como o Papa.

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Leve uma cápsula de cianeto na boca, não vá dar por si a gostar disto

São, no fundo, pesos mortos da nossa sociedade que se mexem e respiram o nosso ar apenas para viver em mundos fantasiosos em que naves espaciais levam pessoas de pauzinhos com luz na mão e robes brancos no corpo, para falarem com anões verdes que têm problemas gramaticais. “Loucos e Fãs”, o filme que esta semana me conseguiu provocar icterícia profunda na alma, é uma ode a este estilo de vida. Como os católicos têm o Papa ou os labregos têm a equipa do Benfica, os nerds têm George Lucas e o seu imaginário masturbatório e desnecessário que em nada faz avançar a humanidade. Apenas o mundo dos efeitos especiais. E se um filme precisa de efeitos especiais para ser apreciado, é porque algo de muito errado falta na história. Seres feitos por computador no cinema são uma versão mais avançado do truque de acender um isqueiro para entreter um bebé. Ou seja, se se identificaram com a precisa descrição que fiz no início desta crítica, este filme é sobre vocês, para vocês, com vocês. Quando entrarem na sala para ver o filme, a tela não será um pano branco que passa um filme. Será um gigantesco e freudiano espelho.

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