“Lua Nova” – Ou como eclipsar o QI dos adolescentes
- Quinta-feira, Novembro 26, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque, Exclusivo
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar com a pior ressaca da minha vida, dois treçolhos e quatro unhas encravadas e ser acordado às 8 da manhã por obras no apartamento de cima, a serem feitas por ucranianos que gritam para comunicarem e que têm tanto de banho como de jeito para destruir paredes em silêncio, tudo ao som de um pequeno rádio que passa a Romântica FM. Lembram-se do “Grease”? Lembram-se do “Breakfast Club”? Lembram-se do “Titanic”? Hollywood precisa, e sempre precisou, de moldar as mentes dos adolescentes com modas, mais especificamente, com lamechas e “panhonhas” histórias de amor. Depois de os encher de gel e os pôr a dançar, de os trancar numa sala de castigo e de os prender num barco afundado a 3000 metros de profundidade no Atlântico, agora suga-lhes o sangue, o QI e o dinheiro da carteira. Em 2008 saiu o primeiro capítulo desta “Saga” que se tivesse “Zone” escrito depois de “Twilight” seria minimamente compreensível. Milhares de adolescentes, munidas e repletas de tantas hormonas como tempo livre, correram para as salas e mastigaram pipocas de boca aberta enquanto actores medíocres passavam uma hora e meia para se beijarem. (Seguindo sempre histórias que se Shakespeare recebesse um euro sempre que lhe são roubadas, ele já teria dinheiro suficiente para saldar os passivos dos todos os clubes de futebol portugueses.)

“Lua Nova”? É irónico como o filme seria tão melhor se a sala estivesse às escuras.
“Twilight” tornou-se a moda. O obrigatório. E o assunto de tudo o que é guincho de adolescente saltitante com um elevado deficit de atenção. A receita destas “porno chachadas” para adolescentes com pais autoritários verem é sempre a mesma: arranja-se uma menina com um ar escanzelado e desprotegido, soma-se um rapaz rebelde com um mistério (aqui é simplesmente gostar de hemofílicos) e haver uma constante tensão de “vou perder a virgindade, estou tão nervosa como excitada”. Por cima, como cobertura, colocar um problema maior que nenhum dos dois consegue combater sozinho (é comum ser uma sociedade má que não percebe o amor entre classes sociais diferentes, famílias diferentes ou aparelhos dos dentes de dentistas diferentes). No caso deste filme é toda uma espécie de rapazes sem t-shirt que se transformam em lobos agressivos. Sem t-shirt. Resultado? Temos a história de amor que a juventude destes dias precisava. E quem fica a ganhar? Hollywood, que empacota euros à velocidade a que estas adolescentes espremem borbulhas, e todos os rapazes do mundo com doenças terminais. Parece incrível mas nunca foram tão populares os adolescentes com um ar doente, depressivo, mórbido e cadavérico como Robert Pattison o é. Pode ser que as olheiras e a palidez não sejam só “estilo” e que toda “moda” meta baixa mais cedo ou mais tarde.











A sensação que tive ao ler as suas crónicas foi que as sensações que descreve no início de cada artigo são 10 vezes mais rebuscadas que as histórias dos filmes de Hollywood que tanto despreza.
Não sei se adopta este estilo porque é isso mesmo que lhe encomendam, ou se é mesmo por sua vontade. Em todo o caso entenda uma coisa: ninguém está interessado em, semana após semana, vir aqui vê-lo a destilar a sua raiva contra o mundo em geral e os americanos em particular.
Parece-me a mim que a sua presunção de que tudo que vem de Hollywood não presta, é tão ridícula como dizer que se for francês e a preto e branco já é bom. Não estou aqui a defender Hollywood, mas se odeia tanto o produto americano, porque é que não realiza, pelo menos de vez em quando, uma crónica a falar dos filmes que diz serem bons? Algo construtivo, para variar. Acredite que dessa forma afastaria mais rapidamente o público dos ecrãs hollywoodescos.
Outra coisa: se não gosta, se é tão fraco, se odeia tanto estes filmes…. PORQUE É QUE CONTINUA A IR VÊ-LOS? Das duas uma, ou é masoquista, ou é burro. Esperemos que seja a primeira. Pelo menos para isso há tratamento.
Ah, passarei aqui, daqui por uns meses, apenas para verificar que nada mudou.
Aparece mais vezes, Faria, todas as aldeias precisam do seu idiota!
Faria, não gostas não leias. É a opinião dele, nem tudo o que vem de Hollywood é mau mas recentemente o que tem vindo de lá não é nada de especial. Os americanos tem muita fartura e fazem muito cinema, apesar de 75 por cento dele não prestar e ser algum filme sobre coisas banais e pouco profundas, filmes só para fazer lucro. Não critiques o cinema francês, pois aposto que nunca viste nenhum filme francês sem ser a azeitada do Taxi 4. Fica bem
Gostei imenso do seu comentário. A capacidade mental dos adolescentes hoje em dia não vai muito além disto.. felizmente apesar de me encontrar entre eles tenho um pouco de melhor gosto e quiçá, talvez, cérebro.