“Pânico em Hollywood” – um título que parece tirado de um sonho cor-de-rosa meu
- Quinta-feira, Setembro 17, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque, Exclusivo
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar numa casa de banho pública do Colombo, sentado numa sanita aquecida, à espera que uma ténia de 12 metros saísse, enquanto lia números de telefone escritos por rebarbados, tudo ao som de Gregorian nas colunas incrustadas no tecto. Sejam bem-vindos ao interior de Hollywood. Mas aqui, ao invés de se mostrar a crua e nua realidade de ilegalidades e dinheiro fácil, coloca-se Robert DeNiro no papel de um produtor sentimental e tristonho, com demasiados problemas na vida. Coitadinho. O que prova isto? Que se Goebbels fazia cinema como propaganda Nazi, também Hollywood consegue fazer aqui o mesmo por si. Vender-se às massas como algo invencível e portentoso, quando na verdade se “destrói” multidões, começou com o braço direito do líder Nazi e vem dar aqui, a “Pânico em Hollywood”, nas salas portuguesas. Por muito que tentem “romantizar” o universo desprezível do “centro comercial” que é Hollywood, não me enganam.

Engraçado. Era isto que me apetecia mesmo fazer. Obrigar o Robert Deniro a engolir o bilhete de uma só vez.
Eu sei das festas. Das drogas. Dos enganos. Do chauvinismo. Até dos cadáveres com que andam na mala dos vossos Cryslers. Eu sei da podridão que é esse mercado sujo e mafioso. Não me ponham o senhor “Robert-aqui-não-faço-de-mafioso-amável-DeNiro” para me sensibilizar. E nem valia a pena os cameos de Bruce Willis ou Sean Penn, o vosso “tempo de antena” já estava composto. As celebridades que “apoiam este anúncio à integridade de Hollywood” fazem parte do esquema. Não me enganam, senhores. O que é este filme? Masturbação hollywodesca. Este filme não é mais que a cidade de Los Angeles, nua, a olhar-se ao espelho enquanto se toca. Produtores de Hollywood, se queriam que o espectador tivesse pena de vocês, suas sanguessugas, falharam. Só conseguiram que eu tivesse pena do projeccionista que tem de, diariamente, pôr isto a passar numa tela gigante. E de quem julgou, como eu, que “Pânico em Hollywood” era o título de um filme sobre o apocalipse do cinema americano e pagou bilhete.










