“REC 2” – …porque o STOP está estragado

cartao rafael contra “REC 2” – …porque o STOP está estragadoCONTRA PICADO/GF – Sabem o que eu faço quando me quero assustar? Vou ao Multibanco e levanto um talão com o meu saldo. Ou leio exames de português de alunos do 9º ano. Ou pior, ouço o Sócrates a falar Inglês. Um morto-vivo, por muita vontade que tenha de morder, não me assusta. Só há três mortos-vivos que me conseguem arrepiar: a Betty Grafstein, o Mário Soares e, de certos ângulos, o Santana Lopes. Não há nada que saia de cemitérios que me causa qualquer tipo de terror – a não ser um carro funerário descontrolado a vir na minha direcção. “REC 2” é a sequela de um filme de terror espanhol, sobre um prédio infestado de mortos-vivos. Não há narrativa mais simplista e básica do que esta: “herói, foge daqui o mais depressa possível senão morres”. Ver “REC 2” é como assistir enquanto um hamster tenta sair de um labirinto infestado de rottweiler’s. Ou um grupo de cegos a tentar atravessar um campo minado na Somália.

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O cameo no poster não é de uma personagem, é de um espectador do filme

Ainda por cima estes mortos-vivos são espanhóis. Não há povo na Europa que coma pior que os nuestros hermanos. Eles não tomam pequeno-almoço, almoço ou jantar, só comem Tapas, o que é o equivalente a “lanchar” durante o dia todo. Um morto-vivo espanhol não come um ser humano, dá-lhe umas dentadinhas enquanto aleijar e depois vai ouvir Alejandro Sanz. Só a ideia de estar fechado no meu prédio é que me assustam. A Dona Clara, do terceiro esquerdo, tem o hábito de grelhar sardinhas ao som do hit veranil “Papa Americano”. Escusa de ver o filme, para passar exactamente pelo mesmo tipo de terror basta-lhe trancar a porta do seu prédio, convocar uma reunião de condomínios e dizer que lhe cheira demasiado a fritos aos fins-de-semana. Acredite que 2 horas depois está a lutar pela vida.
O meu conselho desta semana é das peças mais acutilantes e vibrantes do cinema Romeno dos últimos 74 anos. Pralopov e Katraviov são dois irmãos que ficaram desempregados depois da companhia aérea onde trabalhavam fechar devido a uma intoxicação alimentar em massa com uma refeição de peixe. Juntaram trocos, compraram uma câmara e conceberam “Risu”, onde durante 4 horas, vestidos de palhaços, fazem truques de magia e com balões no meio da morgue do hospital central de Bucareste. O filme termina com a aparição de uma bailarina Burlesca que diz para a câmara “este público está um bocado morto” de trás para a frente.

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