“Salt” – …é irónico como isto não podia ser mais insosso

cartao rafael contra “Salt” – …é irónico como isto não podia ser mais insossoCONTRA PICADO/GF – Eu colecciono ódios de estimação. O meu avô colecciona edições especiais da revista Gina. E o nosso primeiro-ministro colecciona processos judiciais. Mas quem tem a mais estranha e vasta colecção do mundo? Angelina Jolie. Esta senhora colecciona crianças de países subdesenvolvidos. Não é que tenha algum mal as pessoas praticarem o “coleccionismo”, mas é preciso dizer à Sra. Jolie que aquelas crianças devem estar a fazer falta em qualquer lado. É que isto ainda era desculpável se ela tivesse o mesmo carinho e cuidado que tem a escolher filhos, na escolha dos filmes que faz. Expliquem-lhe que saltar de um lado para o outro não faz dela uma actriz. Na melhor das hipóteses faz dela um kanguru bêbado e bulímico. “Salt” é a nova tentativa de Hollywood de entreter os espectadores com twists narrativos. Pena não terem percebido ainda que para entreter um americano durante horas basta apenas dar-lhe uma folha de papel que diga “virar” em ambos os lados. Ou pô-lo a contar degraus de uma escada rolante.

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“Quem é Salt?” – um autêntico cubo de Rubik das perguntas idiotas

Querem ver o filme “Salt”? Então preparem-se, porque eu pela primeira vez aqui nas minhas críticas vou esmiuçar o guião do filme que critico. A história de “Salt” é basicamente isto: “Sou bom. Sou mau. Sou bom. Sou mais ou menos mau. Sou óptimo e patriota. Sou muito mau e mereço morrer devagar. Espera, afinal sou bom. Ou será que sou mau? Fim.” No fundo, a narrativa de “Salt” é exactamente como a montanha-russa típica das festas populares do interior português: confuso, inconstante, mal construído e a acabar com várias pessoas no hospital porque não estavam agarrados à cadeira.

A minha primeira sugestão cinematográfica pós-escaldões tende para “Arrête!”, um magnífico documentário francês. Durante 5 horas e meia, veja um doente de Parkinson tentar apertar os sapatos, em cima de uma máquina de lavar a funcionar, durante um terramoto, num carro em andamento sem travões. Uma brilhante peça realista sobre a prepotência do homem face à sua auto-destruição, e sobre máquinas de lavar a preços moderados.

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