“Shutter Island” – …nunca filmar num manicómio fez tanto sentido
- Quinta-feira, Fevereiro 25, 2010, 8:00
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive a ver este filme foi a mesma de estar sentado numa auto-estrada, durante um dilúvio de terras, com os meus testículos amarrados ao carro oficial do primeiro-ministro, que está prestes a ser abalroado por um camião TIR, mas sem o primeiro-ministro lá dentro, tudo isto enquanto o Mário Crespo me descreve a roupa com que dorme e os ex-concorrentes do ídolos ensaiam as músicas que vão cantar na tournée aos meus ouvidos. Há casais inseparáveis em Hollywood. Tim-eu-não-sou-emo-Burton e Johnny-eu-não-sou-freak-Deep. Jerry-o-que-é-uma-alma-Bruckheimer e uma nota de dólar. E finalmente, Martin-eu-adoro-gajos-italianos-com-armas-na-meia-Scorcese e Leo-eu-juro-que-sou-um-actor-a-sério-Di Caprio. Relações estas que devem ser mais sólidas que as dos intervenientes com as próprias mulheres e filhos. Relações estas que podiam acabar em divórcios litigiosos mas que insistem em produzir filhos, que insistem em estrear e que as pessoas insistem em ir ver.

Não podia ter sido esta ilha a levar com um dilúvio e não a da Madeira?
Podia estar aqui linhas e linhas a falar de Scorcese como realizador mas acho que o facto de ter ganho um Óscar para melhor realizador com um plágio falar por si. A própria indústria que lhe paga milhões mas que não lhe arranja uns óculos fundo de garrafa novos, o premiou com um remake feito às três pancadas, chamado “The Departed”. É como se Hollywood estivesse a dizer “Aleluia que aprendes como funcionamos. Nós aqui não criamos, Scorcese, vamos buscar lá fora e damos um nome novo. Agora leva lá esta estátua que isto pesa”. O único filme que se aproveita de Scorcese chama-se “After Hours” e foi realizado no início da sua… à falta de melhor termo… carreira. É capaz de ter saído tão bom porque o pequeno Martin o fez depois de sair exactamente de uma after hours propriamente dita, nunca saberemos. E não me tentem enganar. Ele não chama Leonardo DiCaprio para os seus filmes todos por gostar do rapaz como actor. Fá-lo para ver se lhe calha alguma coisa do caixote do lixo de ex-namoradas do rapaz. Se também vai comer os restos do cinema coreano, qual é a diferença? É que só a Gisele Bundchen já prova que o Leo tem mais talento a mentir para mulheres que para câmaras de filmar. Ao menos, com este filme, Scorcese finalmente admite que faz filmes de terror. É que para mim, ver filmes produzidos por ele é sempre uma experiência assustadora. No cinema americano há sempre loiras de glândulas mamárias protuberantes a morrerem. No cinema de Scorcese é o bom gosto e o cinema puro que levam facadas nas costelas. Por isso se forem ver o filme, estejam preparados para desviarem os olhos do ecrã umas quantas vezes. Mas só naquelas partes em que o plano é original e não copiado de um pobre coreano qualquer.











“O único filme que se aproveita de Scorcese chama-se “After Hours”” – No meio de tanto disparate, este foi o que me chocou mais. Casino, Raging Bull , Goodfellas , entre outros, são “experiências assutadoras” ?
E falas de tanta coisa sem jeito nenhum e nem dizes por que raio é que não gostaste do filme. Pelos vistos estás mais interessado na vida pessoal dos intervenientes do que fazer uma boa crítica.
Muito sinceramente creio que este senhor perdeu qualquer tipo de credibilidade como critico depois deste…”artigo”..à falta de melhor termo.
Bruno Martins, não é para levar a sério, isto é satira não é critica.
Se bem entendi, o conceito humoristico desta rubrica centra-se na personagem do critico, um profissional que não percebe nada de cinema. Ficou preso à fase adoloscente em que se descobre o cinema independente e se recusa tudo o que é feito nos EUA.
Acho que o protagonista “critico” está bem criado e é para ser encarado como uma caricatura. Repara, não é hilariante que se diga que o único bom filme do Scorcese é o After Hours, por mais “mainstream” que o realizador se tenha tornado?
Eu só consigo ler esta cronica deste ponto de vista…