“Terminator 4: Salvation” – Electrodomésticos armados até aos dentes disparam contra actores com problemas temperamentais
- Quinta-feira, Junho 4, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de yuppees portugueses filiados no PP, armados com alicates e gravatas cor-de-rosa, me arrancarem as unhas devagarinho, enquanto recitam o código deontológico dos seres demoníacos que são os advogados, tudo dentro de um McDonald’s à hora do jantar. Quem teve a ideia de fazer um quarto filme desta saga de bimbys assassinas vindas do futuro? Não perceberam que iria ser má ideia fazer este filme quando o realizador do primeiro e do segundo e argumentista dos outros três, James Eu-afundo-barcos-e-ganho-dinheiro-com-isso Cameron, disse mal do projecto? Nem quando o actor principal resolveu tentar bater no director de fotografia durante as rodagens perceberam que era má ideia? Então já devem andar a preparar os próximos 5 filmes da saga, de certeza. Sim, porque robots que vêm do futuro para destruir a humanidade é um tema de que abunda narrativa, interesse e testosterona. Quem não gostou de ver o primeiro, em que um agora político inchado e com o hábito de apalpar assistentes, disparava balas e fazia-se derreter em magma? Ou o segundo em que era exactamente a mesma coisa mas com um novo robot, que tal como todo o argumento, tinha problemas de solidez? E o terceiro, essa bela obra-prima que tentava fechar de forma cíclica uma história que para mim tinha acabado no genérico do primeiro?
Este quarto filme é um esforço brilhante de vender mais bonecos de robots armados nas lojas. Conseguiram. E com descontos. Prontos a embrulhar. Substituem-se governadores californianos por actores que têm o fetiche de se vestir de morcego e a treta é a mesma. Substitui-se o presente pelo futuro, e a treta é a mesma. Substitui-se qualidade cinematográfica por balas disparadas com a leveza de quem come tremoços e a treta é esta. Quem gostou dos outros três, tem aqui mais electrodomésticos assassinos irritados com edifícios que estejam de pé, mais gritos de raiva dados por actores que nem num director de fotografia acertam um murro, mais dinamite gasta em cenários de cinema quando devia estar nas casas dos produtores. Quem gostou dos outros três pode deliciar-se aqui com mais devaneios americanos de futuros apocalípticos fantasiosos, não se apercebendo que são filmes destes que nos matam, um de cada vez.











