“Viva L’España” será sempre à minha maneira e por isso a tradução é: Viva Portugal
EDITORIAL SEBASTIÃO B. PESSOA/NC – Meus benquistos leitores: “Em qualquer dia, a qualquer hora, vou estoirar para sempre, mas entretanto…”. Sei que já lá vai quase uma semana, mas não consigo parar de cantar esta música desde o passado dia 6. Tenho uma confissão a fazer: eu fui a Espanha! Desde então, quando não estou a cantar, estou a penitenciar-me: ajoelho-me sobre milho e oiço no volume máximo o Viva l’España. Os meus sentimentos são contraditórios: por um lado, nunca pusera os pés em Espanha, se não contarmos com o El Corte Inglês de Lisboa, mas por outro, eu não podia perder o ponto alto da minha vida: ver 80 mil espanhóis vergados a um único português. “Já sei que vou arder na tua fogueira, mas será sempre, sempre à minha maneira.” Vêem o que digo? Não consigo parar e até já fui ao médico, mas o pior é que isto agora alastrou para o teclado. Não percebem o que isto representa? Isto é o sonho de D. Manuel I tornado realidade: dois reinos e uma só coroa! E a coroa está na cabeça de Cristiano Ronaldo! A rainha-mãe é a senhora dona Dolores, a infanta é a Kátia Aveiro e… pronto, comecei agora a entrar no pesadelo.
Como vos dizia, fui ao médico e ele receitou-me Tamiflu. Não sei exactamente porquê, mas parece que ele falou em delírios causados pela febre e, como lhe expliquei que fui a Espanha, ele somou dois e dois e deu cinco. Cinco dias de repouso. Já vou no quarto dia de descanso, mas sinto-me piorar. Na sexta-feira à noite, a selecção nacional de Hóquei em Patins perdeu contra a Espanha no jogo da meia-final. Mas pior do que isso foi a minha mulher ter feito paella para o jantar. Ponderei o divórcio, mas ao sentir os dois centímetros do seu buço a roçarem-me o pescoço perdoei-a. Todo o meu amor renasceu. A conservação dos velhos e bons costumes de estética das mulheres portuguesas tem de ser estimulada. Isso é indesmentível.











