A alma portuguesa revive no jornal da noite de sexta-feira na TVI

EDITORIAL POR SEBASTIÃO B. PESSOA/NC – Meus dedicados leitores, ainda não estou refeito do último telejornal de sexta-feira na TVI, até tive de tomar um Xanax, rever três novelas e ler a carta de Pêro Vaz de Caminha. Tanta alma, tanta exaltação, tanta presunção fazem-me lembrar alguns momentos gloriosos da nossa história, como as duas derrotas consecutivas contra a Grécia, mas que eu considero vitórias porque a alma portuguesa voltou a levantar-se. E na sexta-feira à noite, para além da raça, viu-se perfeitamente que voltámos a ter monarquia, tal como nos nossos tempos áureos. Pena foi que a nossa rainha do botox e o nosso rei do bufanço se digladiassem quase até à morte como bons portugueses mas não tivessem chegado às vias de facto. Assim fizeram-no porque não queriam fugir à nossa generosa tradição de não desejarmos vencer o oponente pela nossa supremacia e assim, apenas por dó, quase marcarmos, quase ganharmos e quase apanharmos gripe. E quase que continuaremos a falar e a escrever português depois do acordo ortográfico entrar em vigor.

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Mas não se iludam com as minhas palavras. Apoio o acordo pois ele significa a unificação da língua e garante que continuemos a ser 240 milhões de falantes. Sendo assim, eu continuaria a apoiá-lo mesmo que passássemos a falar esperanto e disséssemos que é português e com isso passássemos a ser 240,1 milhões de falantes. É por isso que aprecio o esforço que o nosso primeiro-ministro fez este sábado ao falar espanhol no comício socialista em Espanha. Alguns dirão que lá está mais um português a rebaixar-se aos estrangeiros e a falar a sua língua em vez da nossa. Novamente, iludem-se, pois a tentativa de José Sócrates foi heróica. Ao falar espanhol tão mal, ele apenas criou o desejo nos espanhóis de que ele tivesse falado em português, e isso é algo difícil de conseguir. Já o Dr. Mário Soares fez o mesmo esforço incompreensivelmente durante anos, neste caso em francês. Mas nunca ninguém reconheceu, nem a um nem a outro, este árduo esforço de criar em espanhóis e em franceses ânsias por ouvir a nossa língua. Por vezes o Cristiano Ronaldo também faz o mesmo junto dos ingleses e esse é o seu verdadeiro contributo para a nossa selecção. Isso é indesmentível.










