A Ilha dos Amores, para evitar cair nas brumas como a de Avalon, pede transferência para Madrid
EDITORIAL SEBASTIÃO B. PESSOA/ NC – Meus reverenciados leitores, espero que tenham passado um glorioso dia de Portugal. Eu passei. Após ter cantado o hino de Portugal ao pequeno-almoço, resolvi ler os cantos IX e X dos Lusíadas. Perto da hora do almoço sofri uma epifania – mas sinto-me bem, meus preocupados leitores. Agora vejo que Camões tinha uma costela de Nostradamus, pois a ilha dos amores que ele falava não era mais do que a ilha bretã que se viria a concretizar cinco centenas de anos mais tarde pelo pé do nosso Cristiano Ronaldo. Aí o nosso jovem descobridor, desbravando arduamente os mares verdes que se lhe apresentaram e com as suas realizações exaltadas, descobriu várias ninfas que, tal como no épico, vão-se deliberadamente deixando alcançar. O papel de Vénus, que torna a ilha visível aos marinheiros, é desempenhado pelo Manchester e pelos tablóides ingleses, mas é o jovem jogador que estes tornam visível embora inicialmente os seus dentes tortos dificultassem um pouco essa tarefa. Nada que o cupido, ou seja as libras, não resolvessem rapidamente. Só há um pormenor que o nosso poeta não conseguiu prever. Ao comparar os seios das ninfas a formosos limões, ele não tinha como saber que o século XXI seria atacado pelo silicone e por isso a analogia com a fruta estaria mais correcta se fosse feita com uma bela melancia (das espanholas, que as portuguesas são muito pequenas para este fim).

Resistirão as espanholas a mais um príncipe?
Agora que Ronaldo se vai mudar para Espanha, a ilha dos amores está mais vocacionada para uma Avalon, ou seja, destinada a desaparecer nas brumas. Sim, porque esse é o preço que se paga por deixar sair um português daquele valor: o ofuscamento. Além do ofuscamento que o Manchester terá que custear, ao Real Madrid calhou um preço menor, mais euro menos euro (graças a Deus e à CE que não sou obrigado a escrever peseta): 94 milhões de euros. A ONU até já avisou que o dinheiro dispendido na transferência de CR7 ou 9 (como preferirem) poderia alimentar 8,6 milhões de etíopes. Esquecem-se é que o Cristiano não vai ganhar nada sobre o valor dessa transferência, mas manter a forma física de dona Dolores não sai barato. Isso é Indesmentível!










