A máfia temperamental do rating (Moody’s) ameaça Portugal de “morte lenta”

cartao sebastiao pessoa A máfia temperamental do rating (Moody’s) ameaça Portugal de “morte lenta” EDITORIAL/MC – Meus endividados leitores, estou indignado! E tenho boas razões para isso, e nem estou a referir-me ao que se tem passado no Ídolos.
Confesso que andava tranquilo com toda esta questão do défice e do endividamento externo. Não vejo problema nenhum em devermos dinheiro ao estrangeiro. Como qualquer pessoa sabe, quando devemos dinheiro a alguém passamos a ter mais valor para essa pessoa. Valor esse que está na proporção directa do que lhe devemos. Por exemplo, eu próprio valho mais de 500 euros para o senhor Adelino do talho. Pelo que ele, quando me vê, trata-me como se estivesse a tratar com os seus 500 euros. Já o senhor Virgílio da mercearia trata-me como se eu fosse mais de mil euros, em notas de vinte novinhas, que ele confere sempre que me vê: “como vai essa saúde senhor Sebastião?” Bem obrigado, respondo eu, para o homem ficar descansado, que há-de receber o dinheiro assim que O Indesmentível começar a ser rentável. Já o gerente do meu banco, chora cada vez que me vê, embora, confesso, evito vê-lo, que o homem sofre do coração e não quero que lhe aconteça nada.

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Já dizia o meu avô: um país endividado é um país respeitado

Da mesma forma, o facto de o nosso país dever muito dinheiro ao estrangeiro era uma garantia que andariam connosco nas palminhas e que cuidariam de nada nos acontecer como quem cuida de uma serra-da-estrela de dinheiro. Depois, a União Europeia e o Euro não deixariam que nos afundássemos e assim, a nossa orgulhosa Nação poderia continuar alegremente por mais 800 anos. E eis que levámos com um balde de água fria (também literalmente estes últimos dias): uma agência de rating, ou seja uma agência que “rata” a vida aos outros, ameaça baixar o rating da República caso não controlemos o défice e a dívida. “Mas quem são estes narigudos?!”, pensei eu e pus-me em campo. O resultado é tremendo: estamos na mira de uma máfia internacional que serve para chantagear e extorquir dinheiro a países frágeis como nós.
Senão vejamos: as três principais agências de rating são a Moody’s, a Standard & Poor’s e a Fitch Ratings. É preciso suspeitar delas porque desde logo quem é que se lembra de chamar a uma agência de rating, Temperamental, a outra, Padrão & Pobre e a outra, Tourão – um animal da família das fedorentas doninhas – Ratings?
Só mesmo pessoas com mau humor que querem gozar com a nossa cara. De resto, estas são as agências que não previram e de nada serviram nesta crise global, as mesmas que davam cotação máxima à Islândia, dias antes dos bancos islandeses terem falido. Têm ainda no currículo o controlo do mercado de rating em oligopólio e chantagem a países e empresas. Por mim, a Moody’s, pelo que veio dizer sobre Portugal merece um rating de F: está em divida para com os portugueses de uma vida boa e descansada enquanto a UE existir. E isto, meus caloteiros leitores, é Indesmentível!

N.E.: A equipa d’O Indesmentível solidariza-se com o povo do Haiti e lamenta a tragédia que aquele país vive (que foi aqui noticiada cedo de mais, uma situação já resolvida).

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