A única coisa organizada em Portugal é o crime organizado que os partidos políticos praticam
- Sábado, Junho 13, 2009, 8:00
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – Quando finalmente os partidos políticos se tinham entendido em alguma coisa – aumentar o financiamento partidário e a possibilidade de lavarem dinheiro à tripa forra – eis que Cavaco Silva, desmancha-prazeres, vetou a lei. Acho muito bem. Custa-me tanto concordar com o presidente como arrancar um dente a sangue frio por um dentista alcoólico, mas desta vez tem de ser. Até porque duvido que algum partido me deixasse entrar nas negociatas que iriam fazer caso a lei fosse aprovada. Depois disto e de uma eleição sem qualquer interesse popular, a questão é clara: mas para que raio precisamos nós dos partidos? A democracia até pode precisar deles, mas a mim pessoalmente, tal como estão, fazem-me tanta falta como o rabo assado depois de uma noite de diarreia. Para que não fiquem duvidas: não me fazem falta nenhuma. Já todos sabemos muito bem que se fossem bons não eram partidos e mesmo que lhes juntemos os cacos, todos não dão sequer um jarrão para flores.

Para quando um “Querido mudei o partido”?
Os nossos partidos políticos são tão dinâmicos como uma velha entrevada e com Parkinson: tremem muito mas não saem do mesmo sítio. São tão mobilizadores como a beata da minha rua que organiza a quermesse da igreja: só de a ver ao longe não há quem não fuja. E são tão liderantes como um arrumador de automóveis: distorcem, distorcem e já está… O carro mal estacionado pronto para a multa. Aderir hoje a um partido é como aderir a uma claque de futebol. A única diferença é que nas claques a ideologia é muito mais vincada e consistente. E a verdade é que a única organização pior que os partidos políticos é a Comissão de Arbitragem da Liga. Nenhum destes partidos alguma vez conseguiu ou alguma vez conseguirá formar um governo com capacidade para gerir sequer uma mercearia de bairro em regime de franchising. E depois, convenhamos, é verdade que como diz o povo, “quem feio copula, bonito lhe parece”, mas defender uma coisa hoje, outra amanhã e outra depois de amanhã, tem um nome: Alzheimer.










