A virgem, o filho e um país a caminho da desgraça
- Sábado, Maio 16, 2009, 8:00
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – O cardeal Cerejeira, que devem conhecer do filme da SIC sobre a vida privada do Botas, foi um dia ao Brasil e como bom turista português logo veio com ideias novas. Os brasileiros tinham lá um Cristo enorme de braços abertos e Cerejeira achou que essa seria a melhor maneira de converter a Margem Sul ao catolicismo – colocando-lhes o Cristo de santíssimo cu virado para eles, que os gases do Senhor hão-de levar ao caminho da Salvação.
Faz amanhã 50 anos, inauguraram a estátua do Cristo-Rei na presença da imagem da virgem de Fátima que veio ver como tinha corrido a obra. Afinal, foi construída com o dinheiro que os portugueses pagaram à Igreja Católica, para cumprir a promessa que o bispado fez para o país não entrar na Segunda Guerra. E não entrou, graças à providência salazariana. E quanto menos entravamos, mais gosto tínhamos em pagar e o fim da guerra saldou-se em 70 milhões de mortos no mundo e uma vaquinha de 18 mil contos dos portugueses. Uma guerra que acabou por não nos ficar muito cara.
Hoje e amanhã, a imagem da virgem vai estar em Lisboa numa aparição rara. Rara porque como se sabe, desde que apareceu por Fátima, pouco de lá sai. Por aqui, é raro aparecer. Mas em tempos de crise, a Nossa Senhora de Fátima vem mostrar-se à boa tradição de Michael Jackson a acenar à janela com o menino na mão, para inutilmente tentar acalmar as massas que andam, digamos, instáveis.
São cerca de meio milhão os (des)esperados a acompanhar a senhora na sua atarefada agenda. Vai ver doentes a um hospital, visitar umas igrejas, beber uma ginja no Rossio, vai à missa no Terreiro do Paço, depois atravessa o Tejo num belo cortejo sobre as águas, vai curtir com uns ex-toxicodependentes ao Vale de Açor e reza mais um bocadinho. Sempre no andor. Finalmente, voltará ao Santuário do Cristo-Rei, cinquenta anos depois. Por um lado para ver como aguentou a obra estes anos todos, mas acima de tudo, para ver como se está a portar o filho. Ao contrário de muitos filhos desnaturados, nomeadamente o meu mais velho e o do meio, ele estará de braços abertos para a receber.











