Armando Vara meteu-se numa camisa de onze varas e uma delas é criminal
EDITORIAL POR SEBASTIÃO B. PESSOA/MC – Meus argutos leitores, é com o peito cheio de patriotismo e a conta bancária cheia de receios que vos venho chamar a atenção para esse Grande Português que é Armando Vara. Um português com L grande que tendo vindo do nada, ao nada voltou por nós. Eu explico: Armando Vara é um self-made-man que desde o balcão de Mogadouro da Caixa Geral de Depósitos, passando pela Universidade Independente, até à operação Face Oculta onde é arguido, apenas tem respondido às expectativas que nós portugueses temos depositado nele. Pois há muito tempo que o queríamos ver atrás das grades, mas não tínhamos crime de que o acusar. Já conhecíamos a sua tendência para a criminalidade por ele ter sido vereador, deputado, secretário de Estado, ministro e fundador da Fundação para a Prevenção e Segurança. Tivemos a certeza que era um criminoso de alto gabarito quando chegou a administrador da Caixa e depois a vice-presidente do BCP.

Vara não considerava aquele dinheiro como sendo sujo porque, como bom socialista, não queria discriminar o sucateiro que lho estava a dar
Mas a verdade é que, apesar do contexto social, faltava-nos algo – sabemos bem que ser da Cova da Moura é meio crime, mas é preciso o outro meio para prender alguém… (Pensando bem, não é necessário, mas podia ser.) E no caso de Vara era semelhante: sabíamos bem que ele não podia ser honesto, só não sabíamos qual era o seu crime. E este homem, como bom português, pondo em risco a sua carreira no BCP onde ganha 480 mil euros por ano, fez-nos a vontade e deixou-se corromper. Tudo, para que nós nos asseguremos que, mesmo que alguém suba a pulso na vida, o objectivo último é um dia ter estatuto suficiente para ser subornado por um sucateiro por apenas 10 mil euros. E isso, meus invejosos leitores, é Indesmentível.










