Cavaco Silva recandidata-se pelas mesmas razões de há cinco anos mas agora é a sério

cartao mauro tristao1 Cavaco Silva recandidata se pelas mesmas razões de há cinco anos mas agora é a sério

O que mais senti falta desta vez, na apresentação da candidatura, foram os “Alé Cavaco Alé”

COMENTÁRIO/MC – Cavaco Silva apresentou a sua recandidatura a presidente da República. Porque fez um bom trabalho, o país está bem e recomenda-se, e porque a Maria não o quer em casa, sem fazer nada de chinelos e roupão na marquise, a resmungar e a comer bolo-rei de boca aberta. Pelo menos, era isso que eu faria.
Cavaco salientou o seu trabalho de bastidores e disse que o país está mal, mas sem ele estaria pior… É normal em Portugal, nunca sabermos o que na prática, faz o chefe. E achamos sempre que ele não faz um caralho porque senão isto não estava como está… E normalmente, temos razão. E normalmente, somos despedidos se o conseguirmos provar. É por isso que Portugal é um país que se pode considerar muito normal.
Cavaco Silva disse ainda que foi mal aproveitado pelos outros agentes políticos. Não é o caso de Sócrates que o aproveitou muito bem, fazendo dele gato-sapato. De facto, nesta altura, se Sócrates tivesse cabeça para pensar nas presidenciais, seria seguramente o maior apoiante de Cavaco, ainda antes de Mário Soares. Em terceiro lugar, fica Manuel Alegre, que está com medo de ser eleito o último presidente desta República.
A razão para reeleger Cavaco, segundo os seus apoiantes, é que Cavaco é um bastião da estabilidade. Se estivermos à procura de um comandante à antiga, Cavaco é o ideal. Ou seja, já que é para acabar assim, é preferível termos ao leme, um homem que sabemos não vai ser o primeiro a fugir, mas antes o último a abandonar o barco. Mas Alegre não é muito diferente. Com Alegre, temos a certeza de que nunca abandonará o barco e afundar-se-á a dar vivas à pátria até que os peixinhos do mar lhe entrem boca dentro enquanto ele declama Camões.
Mas o argumento definitivo é que Cavaco Silva é economista e o nosso problema é do lado do pilim. Há 5 anos a grande questão era se ele ia servir para alguma coisa. Agora, temos a certeza de que não serve para nada. Portugal não é, definitivamente, um país de economistas. Com Alegre é diferente. Alegre é um poeta, e nós sabemos que os poetas não servem para nada, porque apesar de sermos um país de poetas, não nos livramos de estar neste buraco fundo sem luz. Uma coisa temos certa: nenhum deles é a nossa fénix ao fundo túnel.

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