COMENTÁRIO – A verdadeira história de como Sócrates me convidou para o governo ou até que ponto pode ir o desespero
- Sexta-feira, Outubro 23, 2009, 8:00
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Em crise, sem dinheiro, sem maioria e sem futuro não admira que o governo de Sócrates ainda caia antes de tomar posse
POR MAURO TRISTÃO/MC – Estava eu a ver se acertava com os chinelos numa ratazana que me costuma aparecer na viga no canto da sala, quando tocou o telefone. Nunca atendo o telefone. Sei bem que para o telefone fixo só me ligam pessoas que falam como se fossem gravadores de voz a propor-nos coisas que nós não queremos, não precisamos mas que acabamos por comprar. Como é o caso de um colchão que me custou tanto como um carro e que me dá cabo das costas como uma carroça. Mas como o telefone não parava de tocar e a ratazana assustada tinha fugido, atendi. Era uma das minhas ex-mulheres a queixar-se de eu não lhe mandar a pensão há vários meses. Mas o importante é que quando lhe desliguei o telefone na cara, ele voltou a tocar e eu atendi, insultando de tudo quanto é possível quem estava do outro lado da linha: José Sócrates. Não se perdeu nada porque tenho a mesma opinião do Primeiro-ministro que tenho daquela minha ex-mulher: arrogante, convencida e sempre pronta para me levar o dinheiro todo. Explicado o incidente, ele insistiu ainda assim em perguntar-me qual era a minha disponibilidade para iniciarmos uma conversa com vista a um entendimento futuro. E eu disse-lhe: “Com toda a consideração senhor Primeiro-ministro, vá dar uma volta.” Espero agora que esta história passe a ser contada com verdade nos mentideros. Mais acrescento que é totalmente falso que eu lhe tenha pedido quaisquer favores, muito menos para uma sobrinha minha recém licenciada e à procura de emprego que costuma vir cá a casa.










