Esta revolução nunca me cheirou… os cravos foram uma péssima escolha
- Segunda-feira, Abril 25, 2011, 21:30
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COMENTÁRIO/MC – Porquê Revolução dos Cravos? Porque revolução das margaridas era um pouco amaricado? Revolução do mal-me-quer podia correr mal? Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer… Percebo que já haja muitas revoluções das rosas e que na altura, ainda não houvesse paquistaneses suficientes em Portugal para fazer uma revolução. E aceito que revolução das gerberas nunca teria sido levada a sério. A verdade, é que desde então, passámos a dar sempre uma no cravo e outra na ferradura.
Por exemplo, este ano as comemorações do 25 de Abril foram no Palácio de Belém com ex-presidentes e não houve cerimónias na Assembleia da República, com os deputados como é costume. O que significa que os nossos políticos estão-se nas tintas para a revolução do povo e já só pensam no futuro deles. Estou a brincar, não é nada disso. O que se passa é que este ano não houve cerimónias do 25 de Abril, porque com o país de joelhos e a levar com o FMI, já não é preciso estar com cerimónias.
Em 74, o programa do MFA, o Movimento das Forças Armadas era o famoso DDD: Democratizar, Descolonizar e Desenrascar… desculpem, Desenvolver. Os 3D entretanto transformaram-se em XXX: é simplesmente pornográfico.
O que também é pornográfico é não haver ninguém que não tenha a sua história com o 25 de Abril. O que se deve em parte ao Baptista Bastos gostar de vaguear pelo país a perguntar às pessoas onde é que elas estavam naquele dia fatídico. Sim, porque o 25 de Abril não foram só coisas boas. Mas uma coisa boa do 25 de Abril, foi a música. As músicas oficiais do 25 de Abril, são como toda a gente sabe, “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso e “A Luta é Alegria” dos Homens da Luta.
Mas falar do 25 de Abril é falar da Guerra Colonial… e havia tanto a dizer sobre a guerra colonial. Pelo menos a acreditar no documentário do Joaquim Furtado que já leva 427 episódios e ainda só falou dos primeiros meses. Mas sobre guerra colonial há palavras que dizem tudo como Nambuangongo, Nampula, e sobretudo Cunene. Também poderíamos dizer Macocongo e Alibongo, mas são palavras que não querem dizer nada.
Os mais novos não sabem, nem se interessam, mas antes do 25 de Abril havia outro país. Um país, que visto à distância, quase nem parece o nosso, muito por causa dos óculos de massa de então, das barbas e bigodes e sobretudo da sujidade. Como toda a gente sabe, uma das coisas que o 25 de Abril trouxe foi o gel de duche, o after-shave e com a entrada na CEE, o desodorizante. É sobretudo por isto que sempre achei que esta revolução não me cheirava…












Genial.
Esta revolução não cheira nem nunca cheirou a nada.
Dizem os protagonistas de 74 que “não foi para isto que se fez o 25 de Abril”.
Pois não. Mas foi isto que o 25 de Abril fez.
Fez-se a revolução e pôs-se fim a tudo o que era propriedade industrial, latifundiária grandes empresas, etc.
Nunca ninguém pensou em criar condições para defender a criação e a existência de empresas e empresários que não sejam vistos como bichos maus.
E agora queixam-se de que o pais não produz e que todos vivem de subsídios sem ninguém para os pagar.
Como dizia o outro: “Acabou-se a mama doce…”
Comecem a trabalhar que o país vai para a frente. É só um palpite…