A Europa protege-nos, a China compra-nos dívida e agora até o Egipto desvia as atenções do mundo para nos ajudar

cartao mauro tristao1 A Europa protege nos, a China compra nos dívida e agora até o Egipto desvia as atenções do mundo para nos ajudar

O Egipto tem o canal do Suez e um ditador soez

COMENTÁRIO/MC – É nestas alturas que percebemos a grande diferença entre o nosso país e países como o Egipto: lá eles revoltam-se para tirarem uma múmia da presidência. Cá, nós votamos para manter a múmia como presidente. É a diferença da democracia.
O Egipto, ou Egito, está por estes dias num agito. Acho que vou aproveitar os baixos preços das viagens do C-130 e o alojamento grátis na Praça da Libertação, no Cairo, e vou de férias. Aproveito para ver as pirâmides que tanto me fazem lembrar o nosso país: símbolos de uma riqueza passada num deserto estéril. Mas quero, sobretudo, ver o monumento egípcio que mais nos diz: a Esfinge. A Esfinge está a cair aos bocados como o nosso país, Cavaco Silva copia-lhe o porte e a Sócrates podemos, com honestidade, chamar-lhe um esfingidor. Como o poeta.
Com estes acontecimentos, o Euro, a Europa e Portugal deixaram de ser o foco de atenção do mundo. Mãozinha de Sócrates? Não sei. Mas desde que ele deu origem com a sua incompetência à crise mundial de 2008, já acredito em tudo.
É verdade que com esta revolução, o Egipto está a perder economicamente e nós ainda vamos sofrer com isso. São as chamadas percas do Nilo.
Mas tenho-me deliciado a ver a revolução em directo, em casa, de pantufas, no sofá. Quem dizia que a revolução não iria ser televisionada, enganou-se. A Al Jazeera é a revolução.
Gosto sobretudo, como os manifestantes param de mandar pedras para se ajoelharem e rezarem virados para Meca. Mas a divisão é tão grande, que os manifestantes anti-governo viram-se para um lado e os pró-Mubarak viram-se para outro. É triste ver uma nação assim, de costas voltadas.
Hosni Mubarak, presidente há 30 anos, mantém-se (à hora a que escrevo este Comentário) agarrado ao poder, como uma bossa agarrada a um camelo. E nós sabemos bem o que ter um camelo há mais de 30 anos no poder. O povo da Ilha da Madeira continua a sofrer no silêncio e na poncha.
Tudo isto, faz-me lembrar o 25 de Abril de 1981, quando eu tive de fazer finca pé para a minha quarta mulher abandonar o poder cá em casa e exilar-se, precisamente, no Cairo. Espero que esteja bem. Ou não.

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