Fast and Furious: Uma ode ao consumismo desmedido de partes extra e fúteis, na procura de uma queca sem sentido
- Quinta-feira, Abril 16, 2009, 2:39
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO, CRÍTICA/GF – A sensação que tive ao ver este filme é a mesma de um dentista me arrancar um siso com um alicate enquanto ouço CD’s dos “Marante” em loop, sentado num grelhador de carnes aquecido. Quem teve a triste ideia de fazer um filme sobre carros? Mais, quem teve a triste ideia de fazer quatro filmes iguais, sobre carros? E depois, de os pôr a serem conduzidos por indivíduos com tempo de ginásio a mais e de Proust a menos? O tunning é a alteração dos componentes do carro por partes desnecessárias e mais caras. No fundo, aquilo que o espectador precisa para ele mesmo depois de uma hora e quarenta de pessoas musculadas, rabos empinados e carros a alta velocidade.
Eu podia ter ido ver o “Che”. Podia. Mas cedi estupidamente o meu tempo aos vossos regalos visuais de cor, piadas sexistas e chassis destruídos. Uma verdadeira ode ao vosso consumismo desmedido de “partes” extra e fúteis, na procura de mais uma queca sem sentido ou emoção.

Eu podia ter ido ver o “Che”...
Eu podia ter ido ver o “Che”. Mas cedi a um Vin Diesel que não sabe mais expressões faciais que um Bill Gates na hora de ir ao banco.
Eu podia ter ido ver o “Che”, mas fui contribuir para o filme com a maior receita do mês de Abril de sempre. Setenta e dois milhões e meio de receita bruta e cinco euros são meus. Os outros são vossos, os verdadeiros culpados de não se fazer cinema verdadeiro, puro. Este dinheiro podia ser usado para se investir em algo que realmente importasse como a fome, a cinemateca ou o Bairro Alto. Por cada carro que vocês fazem passar por baixo de um camião a arder, há um filme sobre as pequenas coisas da vida que não é feito. Há mais um fotograma de película que não registou pedaços humanos, num mundo fatalista e corrupto de sensações.
Por cada segundo de filme de “Fast and Furious” há uma cadeira de cinema que é violada à bruta do seu sentido primário. Contra uma parede.
Eu podia ter ido ver o “Che”. Mas sofri, tudo em nome da arte pura contra carros a arder e a voar pelos ares na mesma direcção que a decência do espectador que pagou para ver isto.











morre.