Fátima, futebol e felicidade
EDITORIAL/MC – Meus eufóricos leitores, como director d’O Indesmentível, muita gente me pergunta porque não me reformo, ou, no caso dos meus filhos, porque não faço as partilhas. Outra pergunta que me fazem, é se gosto do trabalho que faço. Respondo sempre que sim, muito. Esta semana comecei por ver a grande vitória do Meu Benfica, depois acompanhei e despedi-me do “Rei do Pedal”, como eu carinhosamente já lhe chamava, e hoje vou à festa da taça no Jamor ver jogar o Meu Porto.
Sei bem que há muita gente que se queixa da vida, deste plano de austeridade e do aumento dos impostos. Mas eu tenho emprego garantido para a vida, ordenado sempre igual e não tenho número de contribuinte. Mudo de ecrã de vez em quando, mas não passa disso.
Esta semana dei por mim à venda no eBay. Mas não liguei. Andava a comemorar o aniversário d’O Indesmentível e a mostrar o país ao Benedito, como eu também lhe chamava. Lisboa, Porto, Fátima, Torre de Dona Chama… A vida aqui n’O Indesmentível tem-nos corrido bem.
É quase um orgulho saber que os nossos estagiários têm conseguido arranjar outros empregos para sobreviver. Agora até escrevem sketchs para um talk show de televisão. Chama-se A Última Ceia com Rui Unas, um programa que suponho deva ter um apresentador conhecido e tudo. A par com outros trabalhitos que vão arranjando – ganham bem aqui n’O Indesmentível, mas é gente muito endividada – lá se vão divertindo. Confesso que como jornalistas são fraquitos, mas no sketch são de rir a bandeiras despregadas de tão maus. Salva-se o facto de saberem escrever, apesar de darem muitos erros. Por sorte, são como as pessoas que sofrem de flatulência: quando os dão, normalmente ninguém repara.
Ás vezes, gosto de fazer uma pausa e olhar para um conhecido quadro de Fontana em parceria com Pollock que adquiri num desvario, e que me inspira. Meus caros leitores, a Grécia pode arder e preocupar-vos; o primeiro-ministro pode aumentar os impostos e desanimar-vos; o vulcão pode assustar-vos, mas nós, caros leitores, insistimos: até podemos estar à beira do fim do mundo, mas temos de aproveitar este privilégio único de assistir ao nascimento de um novo mundo. E isso, meus indesmentíveis leitores, é absolutamente desmentível.











