No Japão sofre-se, na Líbia morre-se e em Portugal peca-se

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Os canais de notícias são a melhor forma de perdermos o amor à vida e entregarmo-nos ao embalo enganador da morte. Só não o fazemos porque, sem todas as nossas forças vitais, o único movimento que conseguimos fazer é justamente o de mudar para a SIC e ver A Família Mata. E adormeço.

COMENTÁRIO/MC – É nestas alturas de aperto, de catástrofe e de confusão generalizada que temos de ser corajosos e tomar decisões ousadas. Por isso mesmo, pendurei uma corda na trave mais alta da cozinha – o método alentejano – subi a um banco e disse as minhas últimas palavras: “foda-se, que o banco está partido!”
Embora já tivesse a corda à volta do pescoço como a maioria dos portugueses, ainda não a tinha atado à trave, o que me evitou uma morte prematura, mas não evitou uma queda aparatosa. Foi então que tomei talvez a decisão mais importante da minha vida: como dizem que o fim do mundo é já para o ano, decidi que vou esperar para ver.
Isto tudo a propósito da conjuntura internacional e da situação política nacional. Uma conjuntura trágica e uma situação cómica. No Japão, já não é preciso sair de casa para arranjar sushi, nem esforçar-se muito para fazer ovos mexidos. Com o problema nuclear, apesar do sismo e do tsunami, os japoneses já só lamentam as mentiras da empresa dona da central. Na Líbia, os manifestantes convenceram-se que a expressão dar o corpo às balas era uma metáfora e acabaram a dar a vida aos obuses. Kadahfi chegou mesmo a pensar que os ocidentais gostavam dele como ele é, e não por causa do petróleo que tem. Agora, vê o seu material de guerra inutilizado pelos que lho venderam. Por cá, sem pec, sobra quem queira ralhar e falta quem tenha razão. Um pecado capital, porque tudo acontece em Lisboa.
À rasca segue o País, cada vez mais próximo da bancarrota. Os políticos, asseguram compungidos ter como objectivo salvar o País. Mas se o País, comprovadamente, não funciona, salvá-lo não é só imbecil, mas também inútil. É como tentar salvar o problema, em vez de avançar para uma solução. E a solução para estes políticos é definitivamente o método alentejano. Espero que os bancos se aguentem.

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