Manifesto Contra Picado

cartao rafael contra Manifesto Contra PicadoCONTRA PICADO, CRÍTICA/GF – Se gostam do “Die Hard”, principalmente da cena no final em que ele tem a arma colada nas costas antes de matar o vilão, parem de ler agora. Se gostam do James Bond, Roger Moore incluído, parem de ler agora. Se são fãs do Michael Bay então nem deviam ter começado a ler. Desprezo todos aqueles que usam o cinema como uma viagem de montanha russa. A Sétima Arte não foi criada para estar agora a ser vilipendiada por americanos com complexos de inferioridade e um machismo protuberante, que gostam de explodir tudo o que vêem. E o Iraque. Aquilo a que vocês chamam de cinema, aquilo que vos vejo consumir ao sábado à tarde no Colombo acompanhado de pipocas doces e Coca-Cola não é mais que pornografia barata das emoções e dos sentidos. Cinema é Cassavettes, Godard, Truffaut, Fellini, João César Monteiro ou toda e qualquer obra a preto e branco falada em Francês. Sim, porque também a cor não é mais que um artifício irreal e fútil usado para acalmar crianças irrequietas e mentes burras do espectador. Conseguem imaginar a brilhante cena de Bergman da morte a jogar xadrez junto ao mar a cores? Metam-me um Clint Eastwood (quando era um jovem actor de arma em punho que sussurrava para assustar) atrás da câmara e conseguem estragar tudo aquilo que acredito ser arte, amor e xadrez em geral. Cinema é o meio de comunicação mais puro e belo dos nossos dias, aquele em que histórias de sangue, tragédia e felicidade se unem pela fina corda emocional de várias artes numa só. Dança, Literatura, Fotografia, Teatro e a obra completa do Manoel de Oliveira em slow-motion não foram criadas para que super heróis de capa ou zombies rastejantes viessem conspurcar a fatalidade eterna do fotograma. Eu sei quem vocês são. Eu vejo os vossos filmes e sei como vocês pensam. Eu ouço-vos a mastigar pipocas de boca aberta mesmo ao meu lado, pelas salas deste país. Eu ouço-vos regozijar quando vêem uma perseguição de carros ou um robô do futuro a descer para a sua destruição num lago de metal em ebulição. Viva o cinema puro. Abaixo a “droga” putrefacta que são os filmes “pipoca”. O meu nome é Rafael Contra e desprezo todos aqueles que usam o cinema como uma viagem de montanha russa.

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1 Comentário em “Manifesto Contra Picado”

  • Fatima Pereira escreveu em 30 Novembro, 2009, 0:40

    Qual não é a minha felicidade, de saber que vou viver tendo conhecido este Rafael, e pondendo apartir de hoje, ler todas as suas sábias críticas cinematográficas.

    Viva a FRANÇA! Viva ao CROISSANT!

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