Com milhares de pessoas a votar em todas as eleições, era de esperar que alguma vez tivessem elegido alguém de jeito
- Sexta-feira, Janeiro 21, 2011, 21:00
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Espero que o próximo presidente da República seja muito feliz, já que como se sabe, nada mais pode fazer
COMENTÁRIO/MC – No nosso país, só há uma coisa mais inútil que votar: esperar três horas pela digestão para poder tomar banho. Olhando às centenas de pessoas que morrem todos os anos por descuidos, era de esperar que por indigestão na água morressem aos magotes.
Votar em Portugal, só faria sentido se, por exemplo, vivêssemos numa democracia. O que não é o caso. Algum português, no seu perfeito juízo, e com todas as opções de uma democracia, alguma vez, teria elegido os últimos presidentes e primeiros-ministros? É claro que não. Os portugueses não têm a possibilidade de votar livremente. Votam no mal menor. E mal menor, é ser enrabado em vez de ser morto.
Numa democracia, as pessoas não caem de pára-quedas no poder, nem saem do poder em carruagens de ouro. Numa democracia, os que são corruptos não estão com o poder, estão na prisão e lá por se poder, não se anda a enrabar criançinhas. Numa democracia, não se pode tudo. E o nosso país está, nitidamente, todo podido.
Antes de matarem o Sá Carneiro, lá ia eu à assembleia de voto, pedia que me explicassem como se dobrava o boletim de voto, dobrava-o e, antes que a mesa tivesse tempo de pensar no assunto, enfiava-o em branco na urna, sem nunca ir à cabine de voto. Claro que acabava com uma discussão com a mesa, acerca da validade do voto, da lei eleitoral e daquela vez em que o primeiro vogal se tinha metido com a minha segunda mulher. Naquele tempo, eu cegava rapidamente, e houve uma vez em que peguei fogo à escola primária onde estava a assembleia de voto e a partir do meio-dia, não se pôde mais votar. Custou-me a minha segunda mulher, porque por azar, era a escola do miúdo, que também nunca mais me falou.
Depois de Camarate, simplesmente deixei de ir. Enquanto não aparecer uma pessoa em quem eu possa votar sem reservas, não me vale de nada ir assinar de cruz um cheque em branco. Até porque, eu sei assinar o meu nome todo e não peço cheques para não ter de os passar. As minhas filhas aproveitavam-se do meu coração mole e lá conseguiam que eu de vez em quando, lhes passasse um cheque para as salvar da prisão. Sem cheques, passam mais tempo sem me visitar.
No próximo domingo, vou fazer como sempre fiz desde então: invento uma desculpa para não “poder” ir votar. Costumo dizer que vou para a praia e tem funcionado, pelo que este ano direi o mesmo. E vou à água antes das três horas.











Um artigo que começa tão bem cai no exagero da língua…e dos erros ortográficos!
Fora isso continuem com o bom trabalho que por aqui têm feito.