As minhas férias correram tão bem como a viagem inaugural do Titanic
- Sexta-feira, Agosto 20, 2010, 12:00
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COMENTÁRIO/MC – Este ano decidi passar férias com a vizinha da cave que é viúva e tem o hábito muito salutar de só falar quando lhe dou autorização. Bendito falecido que a ensinou como eu nunca consegui sequer ensinar o meu papagaio. Segundo ela o defunto deixou-lhe uma residência num pinhal junto à praia e pela forma como ela não disse mais nada, achei que se tratava de um sítio calmo e tranquilo. Perguntei-lhe onde era e ela disse-me que era no Meco. Achei boa ideia. O bom de ir passar férias para o Meco, é que não é preciso levar muita roupa.
Quando chegámos deparei-me com um parque de campismo a abarrotar e um pré-fabricado, com avançado e quintal ajardinado onde campeava um bidé a servir de vaso a uma sardinheira.
O campismo tem muitas vantagens, mas nenhuma delas é o conforto. A calma do pinhal só era perturbada pelos arrulhos das rolas, pelo chilrear dos pardais e pelo gritos animalescos, sons corporais e gemidos histéricos das centenas de pessoas que habitam o parque. Fazer amor no campismo é como contar um segredo a um amigo por megafone numa praça cheia de gente. E a próxima residência, fica a metro e meio da minha cama.
Percebi como tudo iria correr quando entrei no café. Não há nada mais promissor para um café à beira-mar que ter um sino marítimo a dizer “Titanic 1912”. Fugi dali para o outro café e pedi um bagaço para me acalmar. Descobri que no Verão, em Portugal são necessárias três pessoas para servir um bagaço: um para confirmar que há bagaço, outro para servir o bagaço e outro para andar de um lado para o outro do balcão a estorvar.
Sentei-me então, calmamente, na esplanada, a olhar para a fauna local aos pulos, aos urros e aos mergulhos na piscina. As piscinas públicas são seguramente, um símbolo da democratização das micoses. Aquela animação ia-me dando um ataque cardíaco e por isso pedi outro bagaço. Foi quando descobri que o preço nas esplanadas é sempre mais alto do que dentro do café. E faz sentido. Afinal de contas, a instalação de ar condicionado é cara, mas mandar instalar um sol abrasador, chapéus de sol coxos e um enxame de moscas famintas, está pela hora da morte.











