O destino dos portugueses cumpriu-se no meu voto nulo e na cabeça do Bruno Alves
EDITORIAL SEBASTIÃO B. PESSOA/NC- Meus apreciados leitores, acabo de cumprir o meu dever cívico à revelia dos conselhos da Dra. Battaglia e ao contrário dos clientes do BPP que, em protesto frente à sede do banco em Lisboa, não irão votar. Eu estive para fazer as duas coisas, mas demorei muito a encontrar o quadrado para colocar a cruz no boletim de voto e acabei por perder o eléctrico para o local da concentração. É que eu ouvi dizer que o Bloco Central seria o salvador do país, não que precisemos de redentores, pois como herdeiros do 5º Império somos todos messias de um Portugal cada vez melhor, mas não encontrei a quadrícula desse partido. Sei que o José Saramago é um candidato ao parlamento europeu pelo partido comunista, o avô cantigas pelo partido socialista e ainda tentei saber por que partido seria candidato o Scolari, uma vez que depois de deixar o nosso país tornou-se o salvador do mesmo. Mas não descobri. Então fiz como agora toda a gente nos manda e resolvi acreditar. Fechei os olhos, respirei fundo e pensei: “Eu acredito que este é o partido certo”. Ao mesmo tempo fazia o Um, dó, li, tá. A cruz ficou fora de qualquer quadrícula. Portanto o meu voto foi nulo, o que segundo me parece acontece também com os outros votos.
A lição a retirar desta contrariedade matinal é que Eu acredito! De resto, já vo-lo tinha dito a semana passada, mas agora tenho razões acrescidas. Ouvi um apresentador dizer que só não acredita quem não é português. Ora como verifiquei mais uma vez ao entregar o meu bilhete de identidade na mesa de voto, sou português, logo o meu local de nascimento obriga-me a acreditar. Por isso e porque o seleccionador Nacional disse: “Ai de quem levantar o dedo a suspeitar da atitude dos jogadores, terá de se haver connosco.” E eu, tenho de confessar, tenho um pouco de medo do Pepe. Mas as verdadeiras razões que me fazem acreditar são porque se as nossas caravelas descobriram o mundo, nós podemos voltar a descobrir o caminho para o Mundial, habituei-me a acreditar em milagres desde o tempo da rainha Santa Isabel e também porque aguardo o dia em que a mascote Gil se vai naturalizar pessoa e usar aquela popa para atravessar todo o meio campo com a bola presa à cabeça e colocá-la na baliza adversária, mesmo que esta esteja torta como tem estado nos nossos últimos jogos.











