O Indesmentível nasceu: é com tristeza que assisto a mais um equívoco na comunicação social nacional
- Domingo, Maio 3, 2009, 23:45
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – O Jornal morreu. Morreu o conceito, morreu o formato e continuam a morrer árvores para imprimir os que ainda restam. Neste tempo em que morrem jornais um pouco por todo o lado, a mera ideia de criar um novo é semelhante a continuar neste mundo em depressão, a defender as teorias neoliberais, a desregulação dos mercados e a inocência de Sócrates: pode-se fazê-lo, mas é muito difícil.
É por isso muito natural que O Indesmentível seja o único jornal a abandonar o seu formato em papel, ainda antes de imprimir a primeira edição, para se tornar apenas on-line como muitos outros vão fazendo. Ironicamente, a Internet é de resto o acusador, o juiz, o carrasco e a amante libertina dos jornais, dos jornalistas e dos adolescentes imberbes.
Na verdade, O Indesmentível nunca devia ter acontecido. É mais um passo em falso nesta decadente sociedade portuguesa. Mais um projecto destinado ao falhanço – esforços desperdiçados em vão numa ideia que nunca devia ter saído das quatro pequenas paredes da retrete de um restaurante manhoso em Vilar de Perdizes, onde infelizmente nasceu. É um hino à irresponsabilidade, à megalomania e à vontade de fazer desenhos com caretas de velhos como eu.

Ler O Indesmentível é um desperdício de tempo maior do que ler jornais pagos ou ver o Jornal Nacional de sexta-feira na TVI com ou sem travestis, com ou sem jornalistas, mais boca menos boca
Convidarem-me para fazer parte desta equipa é bem a medida do desastre.
A única coisa que prometi foi o meu total empenho e a minha absoluta dedicação para, sempre que me apeteça, fazer de O Indesmentível o melhor projecto jornalístico do país. O que a ver pelos outros jornais, não é difícil, mas olhando à redacção que temos é uma tarefa hercúlea. Quero um jornal onde as pessoas se possam informar com rigor, onde a informação seja fidedigna e a isenção absolutamente total para que toda esta confusão geral seja bem sustentada. Carrego como uma cruz o valor de base que o nome deste jornal afirma pateticamente: que nenhuma das nossas notícias alguma vez possa ser desmentida. Nesse dia, demitir-me-ei para me dedicar em exclusividade à intriga política e ao alcoolismo.










