O Mundial de 2010 vai ser o cabo dos trabalhos mas pode tornar-se no canto XI d’Os Lusíadas

cartao sebastiao pessoa O Mundial de 2010 vai ser o cabo dos trabalhos mas pode tornar se no canto XI d’Os LusíadasEDITORIAL/MC – Meus orgulhosos leitores, esta semana estabelecemos o caminho glorioso de Portugal rumo a uma década de ouro e prosperidade… Bom, talvez esteja a exagerar, foi apenas o apuramento da Selecção Nacional para o Mundial de Futebol 2010 na África do Sul. Mas na actual situação em que nos encontramos, é bom ter notícias positivas que vão durar mais que umas horas e este apuramento sofrido vai valer-nos até Junho.
Carlos Queiroz, como bom professor, tem uma forma muito elaborada de congregar os adeptos em volta da Selecção. Enquanto Scolari o fazia com bandeirinhas e apurando-se rapidamente, Queiroz vai até às últimas, proporcionando-nos assim, mais jogos, mais emoção e mais ataques de coração. Mas como cantava o poeta, “Valeu a pena? Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena./Quem quer passar além do Bojador/Tem que passar além da dor.” E neste caso a dor foi de Cristiano Ronaldo e da companhia de seguros que lhe pagou o ordenado durante este período de lesão.
Mas se a Bósnia foi o Cabo Bojador, o Mundial será “o grande e notável” Cabo das Tormentas.

GP stad 07 O Mundial de 2010 vai ser o cabo dos trabalhos mas pode tornar se no canto XI d’Os Lusíadas

O Cabo da Boa Esperança é um cabo tão importante que até tem uma cidade só dele – a Cidade do Cabo

Resta a Queiroz ouvir o espírito de D. João II que o rebaptizou da Boa Esperança, “por aquilo que prometia para o descobrimento da Índia tão desejada”, como dizia o cronista. Mas é bom que Queiroz perceba que isto não passa de uma metáfora e ninguém espera que ele leve a Selecção à Índia ou que traga uma caravela cheia de especiarias. Não é preciso elaborar, é até bastante simples: basta levar a selecção à final e trazer a taça no avião. Queiroz tem de ser o Bartolomeu Dias do século XXI. É dobrar a coisa e voltar para casa. E de preferência não voltar lá, porque Bartolomeu voltou, e lá ficou.
Na África do Sul, nada será fácil. É verdade que já sabemos que o Adamastor não existe e que o mundo não acaba ali… Quer dizer, o mundo não acaba, mas se não formos campeões, é melhor Queiroz seguir mesmo para a Índia.
Por tudo isto, tal como os sul-africanos querem sacrificar uns animais para benzer os novos estádios, também a selecção portuguesa deve ir munida de ajuda espiritual. Longe vão os dentes de alho e a senhora do Caravaggio. Queiroz precisa de uma nova abordagem mística e por isso recomendo a contratação do bruxo que lesionou Ronaldo. Afinal, só depois de ele fazer o seu trabalhinho é que nós nos conseguimos apurar. E isso, meus incrédulos leitores, é Indesmentível.

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