O princípio do fim do princípio do fim
- Sexta-feira, Abril 10, 2009, 18:00
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – Não é para ser pessimista, mas este mundo caminha alegremente para o olho da desgraça que assusta até os quatro cavaleiros do apocalipse que convergiram frente ao Banco de Inglaterra durante a cimeira do G20 em Londres.
No dia seguinte à cimeira, acordei, levantei-me, calcei umas peúgas velhas e sujas porque de manhã costumo ter frio nos pés e fui ver: estava tudo na mesma; o mesmo bairro velho e sujo de prédios emparedados e cheiro a borracha velha queimada para o almoço. Nem o G20 nem Obama mudaram absolutamente nada no mundo. Ficou tudo na mesma, o que nos dias de hoje quer dizer, muito pior. Dos resultados da cimeira apenas ressalta o reforço do FMI. Ora como toda a gente sabe, quando só nos resta o FMI, isso quer dizer que estamos pior que fezes.
Mas era expectável. É mais fácil inventarem as omeletas sem ovos do que o G20 resolver alguma coisa neste mundo. Não é um Obama que vem em digressão à Europa e à Turquia, cheio de boas vontades, como se o inferno não fossemos nós e delas não tivéssemos cá a rodos. Que o digam os turcos.
A viagem de Obama serviu apenas para divertir Isabel II. A Rainha de Inglaterra não se lembra de quantos presidentes americanos já conheceu, mas afirmou com veemência que nunca viu um tão preto. E congratulou-se com isso. Isabel II que é tão velha que chegou a conhecer o rei da América – viu-o actuar ao vivo, disfarçada, quando Elvis deu um concerto em Londres – pareceu ter ultrapassado a sua crise pessoal de atracções no palácio.
O futuro é tão sombrio, sobretudo para esta Europa, que as últimas pedras do Império Romano caíram de vez esta semana em L’Aquila. Acabou o Império. Acabou a Europa. Paz à sua alma.
A única maneira de acabar com esta crise é à maneira dos tempos antigos: perdoem as dívidas todas para que comecemos do zero. Especialmente aquele crédito que contraí para pagar a indemnização que o tribunal… Enfim, ou então à maneira do século passado, arranjando uma guerra – coisa que sempre reaviva uma economia. Mas já não há hitlers como antigamente e ainda bem porque de falhados está o mundo cheio.










