Quem já não tem orçamento para isto sou eu
- Sexta-feira, Setembro 24, 2010, 8:00
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Estamos no país do Salazar, metidos até aos queixos no pântano de Guterres, apenas vestidos com a tanga de Barroso, cravejados de sanguessugas, orientados por um engenheiro técnico, nas mãos de Cavaco Silva ao som de um tenor acompanhado pela orquestra do Titanic
COMENTÁRIO/MC – O estado do meu orçamento é mau. Há pelo menos 45 anos. Como os governos portugueses, passo a vida a rectificá-lo. Sobretudo, por causa dos impostos. Em Portugal, não há bem “impostos”. É mais um dízimo. Porque é preciso ter muita fé para acreditar que isto é um país. Fé cega. Porque quem tiver um olho, vê bem, que o rei vai nu e que Cavaco está entrevado da cintura para cima.
Quem achava que Sócrates estava a governar mal no primeiro mandato, seguramente já se arrependeu de lhe chamar nomes, como engenheiro técnico e outros. Porque comparado com este segundo mandato, o primeiro foi das melhores coisas que nos aconteceram desde Santana Lopes. Este é o pior mandato de um governo português, desde que Afonso Henriques teve de matar a governanta do castelo por má governança.
Começa a ser obscenamente visível, que os tachos ficam muito caros para todos incluindo os tachantes. Pelo que, estamos todos de acordo em parar com essas ideias peregrinas de andar a dar apoios sociais aos que mais precisam e a investir em grandes obras públicas para o futuro. Como se as gerações futuras precisassem de comboios melhores, que aqueles que temos agora. Nem comboios, nem constituições. Em equipa que ganha não se mexe. As gerações futuras nunca viveram tão bem como agora. E no futuro, vão sempre lembrar-se destes tempos áureos. E quando digo futuro, estou a falar do próximo Natal.
Isto ainda não é “A Crise”. Isto é a crisezinha que temos desde que nascemos e que nos permite dizer sempre, que “isto está mal, muito mal, mas vai-se andando”.
Crise, será quando os portugueses começarem a vender os telemóveis para comprar comida em segunda mão. Nessa altura, é que os tachos perderão finalmente o seu sentido. A não ser que os usemos para apanhar a água e mandá-la borda fora. Mas eu, não é para ser pessimista, mas acho preferível preparar os botes salva-vidas…










