Se Sá Carneiro não tivesse morrido ainda hoje era vivo

cartao mauro tristao1 Se Sá Carneiro não tivesse morrido ainda hoje era vivo

Há quem defenda que Sá Carneiro voltará num dia de nevoeiro ao som de paz, pão, paz, pão, paz, pão... paz, pão...

COMENTÁRIO/MC – Só há uma coisa que os portugueses gostam mais do que um salvador da pátria: um salvador da pátria morto. Foi assim com D. Sebastião, é assim com Sá Carneiro e seria assim com Cavaco Silva se ele ao menos já tivesse morrido.
Faz amanhã exactamente 30 anos que Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa morreram, na queda de um avião em Camarate. Para grande vergonha nacional (se tivéssemos alguma), ainda não se chegou a uma conclusão sobre se foi acidente ou atentado. E este nem sequer é o processo mais antigo em investigação pela justiça portuguesa. O mais antigo, corre no tribunal de menores para apurar se D. Afonso Henriques bateu ou não na mãe.
Sá Carneiro deixou a sua marca no PSD, na vida política portuguesa e na parede de uma casa em Camarate. E apesar de ter sido primeiro-ministro por apenas 11 meses, continua a ser o ídolo de Pedro Santana Lopes, que só se aguentou durante cinco, com a agravante de ter sobrevivido. Muito embora, o governo de Santana tenha acabado num desastre de maiores proporções.
Para assinalar esta efeméride foram publicados diversos livros sobre o mítico líder do PSD. Ainda não consegui perceber se este ajuntamento de obras publicadas é um acidente ou se é um atentado à memória do político.
Diversas figuras públicas têm-se entregue a tecer considerações acerca da eventualidade de Sá Carneiro não ter morrido. Posso assegurar que se Sá Carneiro não tivesse morrido, as nossas avós todas, eram carrinhos. Mas melhor do que isso – e isso já seria muito bom porque nada me daria mais gozo que lançar a minha avó de uma ladeira – foi a revelação de Marcelo Rebelo de Sousa de que com Sá Carneiro vivo, provavelmente não haveria Cavaco Silva. Por outro lado, isto ajuda a explicar o saudosismo e a veneração que o PSD tem por Sá Carneiro. Parece que ele não gostava de bolo rei.
Não sei se estaríamos melhor caso Sá Carneiro não tivesse morrido. Mas uma coisa é certa, não seríamos o país a quem morreu um primeiro-ministro há 30 anos e ainda não se sabe se foi acidente, atentado ou uma chamada de atenção por parte de Deus para os erros urbanísticos do bairro de Camarate.

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1 Comentário em “Se Sá Carneiro não tivesse morrido ainda hoje era vivo”

  • Jorge escreveu em 8 Dezembro, 2010, 17:40

    Esta saga já cheira mal. Se morreu de atentado ou de morte natural, provavelmente nunca se saberá. É o dinheiro dos contribuintes que, uma vez mais, alimenta estas comissões de inquérito que nunca mais acabam…tristeza!

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