Se só o Bloco Central pode salvar o país, o que é que nos salvará do Bloco Central?
- Sábado, Maio 9, 2009, 8:00
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – Só há duas coisas que me irritam mais que um Bloco Central: um bloco de direita, um bloco de esquerda e um bloco de granito em cima da unha grande do pé. O que me acontece muito. Ainda assim, prefiro uma unha negra a cair, a ver o meu país com os dois principais partidos de acordo e a governar. O único bloco que nos poderia tirar deste buraco escuro e bafiento que é o actual estado do país, era um grande bloco de notas de euro.
Portugal já teve um Bloco Central. Nessa altura houve uma crise internacional, o FMI impôs-nos a sua política de austeridade, a inflação chegou quase aos trinta por cento e um primo meu mudou de sexo. (Quer dizer, passou a andar vestido de mulher e a chamar-se Angélica, a operação foi muito mais tarde.)
O Bloco Central de 1983-85 também preparou o terreno para a nossa entrada na CEE. E é por tudo isto que ninguém quer outro Bloco Central: desde logo não queremos outra crise internacional, depois não queremos cá o FMI (à minha prima, já me habituei) e acima de tudo não queremos novamente Portugal na CEE. Até porque era uma música horrível que deu origem aos GNR – o maior equívoco do rock português a seguir aos UHF.

Há outras soluções de governo para além do bloco central, todas elas com a eficácia de uma bimby nas mãos de um doente de Alzheimer
Mas a verdadeira razão porque não queremos o Bloco Central tem a ver com o facto de sabermos por experiência própria que os políticos são ladrões. Pelo menos a mim, um, ficou-me com quase dois contos e um passe social numa noite estranha nos idos de oitenta. E só não roubam mais porque a oposição regra geral não deixa o governo roubar tudo o que pode. Ora se a oposição estiver também no governo, é como fechar o cofre aberto do banco na rua! Ainda há dias juntaram-se todos para aprovar uma lei de financiamento dos partidos e de repente, o PCP com a Festa do Avante, assumiu-se como arauto do capitalismo partidário. Os restantes partidos, já que o PCP tem uma festa, decidiram todos fazer também uma grande festa e finalmente assumiram o seu estatuto de 5 à Sec de dinheiro fresquinho.
Depois das eleições, a situação será já tão negra que vamos perceber que neste momento ainda estamos a viver à grande e à angolana. Por isso, o que vamos precisar é de uma Junta de Salvação Nacional, que nos salve da crise, destes partidos e deste país: assim que a junta se juntar sou o primeiro a emigrar.










