Varas, Soares, Penedos ou como me dizia a minha madrasta, “para chulo já me basta o teu pai”

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Sócrates, com os seus amigos, os seus primos e os seus correligionários, tem o condão de nos mostrar que basta olharmos em volta para percebermos que estamos mesmo metidos no meio da merda

COMENTÁRIO/MC – Há três tipos de pessoas que detesto, ao ponto de defender que lhes deviam tirar ambos os rins para ver se ele aprendem o que é a vida: as que têm uma vida fácil à conta dos pais, as que têm uma vida fácil à conta do Estado e as que têm uma vida fácil à conta de mulheres de vida fácil. Eu próprio já vivi à conta de todos e nunca tive uma vida fácil. Estava em casa dos meus pais, com uma pensão de invalidez e uma miúda por conta em Monsanto. Mas ser filho dependente, falso pensionista e chulo só é uma vida fácil se se tiver três coisas: cara-de-pau, uma lata descomunal e o dom da canalhice. Não aguentei a situação muito tempo… Para começar descobriram que eu tinha subornado o médico e afinal não era paralítico dos polegares.
Vem isto a propósito dos mamões profissionais do nosso País, desde executivos de empresas públicas, membros de órgãos de soberania, aos que tem um trabalhão enorme para convencer a Segurança Social de que não conseguem trabalhar. Gente que não se importa de passar anos a viver à conta dos pais, para depois fazer a sua vida à conta do País. Não percebendo que há muitas diferenças: o acento agudo, a inicial maiúscula e sobretudo o número. Pois pais há muitos, mas País é só um. É preciso que percebam que o País não é uma mama onde podem chupar indefinidamente, é sim um chupa-chupa e, se o chupar-mos todo, arriscamo-nos a ficar com um pau na mão que nem para palitar os dentes serve.
Estou absolutamente convencido que tanto Armando Vara, como Rui Pedro Soares ou os Penedos, entre muitos outros, são pessoas brilhantes com competências ao mais alto nível e que merecem bem o dinheiro que recebem nas respectivas empresas. O meu problema é eles comportarem-se como putos adolescentes, aldrabões e chulos com cara-de-pau, uma lata descomunal e o dom da canalhice.
Depois de perder a pensão e da miúda ter fugido com um toureiro espanhol, dono de um bordel em Badajoz, conheci a minha primeira madrasta. Uma pessoa fantástica, num misto de Diabo, Bush e Medina Carreira. Fez de mim um homem honesto. É claro que nos sentimos sempre injustiçados quando uma megera arraçada de prostituta de auto-estrada nos entra casa dentro e nos diz coisas do género: “Queres dinheiro? Para chulo já me basta o teu pai.” Mas foi graças a ela que tive a minha primeira casa, o meu primeiro trabalho e, logo, os meus primeiros chulos.

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