Vítor Constâncio é um optimista
- Sexta-feira, Abril 17, 2009, 8:00
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COMENTÁRIO POR MAURO TRISTÃO/MC – O Governador do Banco de Portugal diz que ainda não é este ano que vamos à falência e apenas prevê uma queda do PIB de 3,5 por cento. Este é o mesmo homem que não conseguiu prever a situação do BPN uma semana antes da nacionalização, pelo que estas previsões valem tanto como as previsões para o tempo da minha vizinha do segundo andar – só acerta quando se engana.
Constâncio previa em Janeiro uma contracção do PIB de 0,8 e apenas quatro meses depois prevê uma de 3,5 por cento. Basta fazer as contas: daqui a quatro meses, em Agosto, vai prever 6,2 e quando chegarmos a Dezembro de rastos não sei se ainda haverá PIB ou se só haverá FIB: F0d4 Interna à Bruta.
Do governo esperava-se a aprovação rápida, ainda antes das eleições, de projectos de investimento público e privado para sairmos desta crise. Mas Sócrates neste momento sofre de freeportofobia e isso é coisa que ele não vai arriscar fazer. Gato escaldado não aprova coisas à pressa duas vezes.

Ainda faz contas ao PIB, mas já pensa na FIB
Diz Constâncio que a economia nacional só vai sair da recessão quando a europeia sair. Ele no fundo sabe que estamos à beira do abismo e nem sei se temos forças para dar um passo em frente. Esperar alguma coisa da Europa neste momento, é o mesmo que esperar que depois do embate, o Titanic dê duas voltas sobre o casco, engula o iceberg num trago de whisky e volte a navegar para seguir viagem.
Para o banqueiro público, o desemprego não vai atingir os valores que uma recessão como esta faria prever. E acrescenta que isso se ficará a dever aos empresários portugueses que estão a fazer sacrifícios para manter os empregados. Quando ouvi isto engasguei-me de riso e entornei a malga de sopa a ferver em cima de uma perna e ainda estou a pôr uma pomada indiana manhosa que é a única coisa que me alivia. (Por acaso devia pedir uma indemnização…) A razão para que o desemprego não aumente, a mesma que permite que ele não esteja muito alto, é que os portugueses quando vêem a coisa preta, todos sabem muito bem o que têm a fazer. Ala que se faz tarde, nem que seja para Champigny-sur-Marne comer ratos e dormir ao relento, onde nós portugueses fizemos os nosso loucos anos 60.
Obama, que como sabemos é um visionário, teve uma visão e disse que vê “lampejos de esperança”. A única coisa que nós portugueses podemos esperar para o futuro próximo é termos saúde. Nós e os nossos ratos.










