X-Men Origins: Wolverine: um indivíduo a precisar de ir ao barbeiro a perseguir um homem a precisar de uma manicura
- Quinta-feira, Abril 23, 2009, 8:00
- Contra Picado, Destaque
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CONTRA PICADO, CRÍTICA/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma que a de um touro bravo me colher, sob um chão de álcool em chamas, enquanto todo o coro de Santo Amaro de Oeiras me cantava êxitos das Doce em falsete. Quero que fique aqui assente para que toda a humanidade saiba, que para mim só existem verdadeiros mutantes cinematográficos em dois filmes, no Vampyr do Dreyer e no filme homónimo de Teresa Villaverde. O que são estas personagens coloridas e irritadas de super-poderes para adolescente americano masturbado ver?
X-Men Origins: Wolverine é mais uma vez a representação estéril das preocupações e medos de uma sociedade sem a saia da mamã para agarrar. Vejam bem se a procura de super-poderes não é o desconforto perante a crise, o medo perante a guerra-fria latente sempre que uma Coreia dispara um míssil ou simplesmente a birra na “adolescência” que é estar vivo. Uma personagem que tem garras de metal? Que se regenera? Feita por um actor que apresenta cerimónias de prémios por si só um espectáculo ainda maior?
Confesso que fui ver este filme apenas e só porque vem aí o Indie Lisboa, local onde personagens que atiram cartas em chamas ou mudam a meteorologia com o poder da mente ficam na bilheteira. Ou no consultório de um qualquer psiquiatra com paciência.

Preciso rapidamente do Indie para me exorcizar
São cento e sete minutos de um indivíduo irritado a precisar de ir ao barbeiro a perseguir um homem armado em engraçado a precisar de uma manicura. Como isto tudo é vazio, fútil e apenas serve para fazer lembrar o espectador das suas obrigações higiénicas e estéticas. Perdi eu o meu tempo a comer pipocas e a ver crianças mimadas a rejubilar com destruição, quando tenho vídeos de concertos do Jeff Buckley para pôr no meu blog. O que me apeteceu fazer durante todo o filme foi o que a personagem Cyclops faz, disparar um raio laser pelos olhos que atravessasse a tela, o filme, os actores, a família dos actores, os criadores, a família da família dos criadores e toda e qualquer pessoa que alguma vez leu uma banda desenhada daquelas. Tanta criatividade gasta apenas para se fazerem action-figures vendáveis em natais, aniversários e convenções de nerds. Preciso rapidamente do Indie para me exorcizar. De castigo, por cada minuto de Wolverine que vi, vou ler duas vezes o programa do festival. Da capa aos agradecimentos.










