Luisinha à escuta
- Domingo, Junho 13, 2010, 8:00
- Luisinha dixit
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Distraio-me na fila da farmácia com mãe, filha e namorado a tira-colo. A senhora vestida quase como o marido – calças largas, camisa sem forma, blaser descaído -, e pequena magra, de camisa cintada, push-up debaixo, jeans coçadas, rotas, cara bonitinha e deslavada. Claramente é quem manda ali. O rapaz… o rapaz é um atropelo: calças fora do rabo, bolsos até às rótulas, cap – sim, bonés é no golfo, tudo o resto são caps – cara de sono e grunhidos de noite mal dormida.
Têm de estar dali a poucos minutos no tribunal, se não se despacham chegam tarde e não sabem que mal poderá vir ao mundo. Toca o telefone da líder. Era uma Joana, de quem falam a seguir. Que se vai atrasar, que é sempre assim. Ele sossega-a, que pode ser que se despache.
- Oh, e tu não conheces a Joana?! Vai-se levantar… só depois é que se vai vestir… depois vai para a paragem do autocarro… só depois é que apanha o autocarro…
Eu não tenho grande experiência na vida suburbana e adolescente, mas pareceu-me que a tal Joana não estava a fazer nada fora da ordem natural. Se apanhasse o autocarro antes de se vestir, sim, haveria talvez um problema. Mas que sei eu?










