Luisinha a banhos I
- Domingo, Julho 25, 2010, 8:00
- Luisinha dixit
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Sou a primeira a chegar. Estendo a toalha, vou caminhar à beira-mar, tudo muito Nicholas Sparks, sem a choradeira e o elemento macho desilusor/revitalizador/à beira da morte (escolher o que mace menos). Demoro não mais de um quarto de hora e que vejo? Povoaram-me os arredores da toalha, fizeram-me uma invasão selvagem ao areal circundante, que me deixa atordoada. Dir-se-ia que estavam escondidos com seus farneis e merendas à espera que me ausentasse.
Um casal. Nem preciso de ver alianças: tudo novo, tudo a condizer. Lembram-me o meu primeiro casamento. Adivinho-os recém-casados.
O tempo que estão na praia mal trocam uma palavra. Vão ao banho à vez. Ela tem um ar de porcelana. Nada sai do lugar: o cabelo, o mp3, o ar de mosca morta. À excepção do mp3 lembrou-me muito o meu primeiro casamento. É tal qual o meu primeiro ex-marido.
Ele, engraçado – admito que nestes confrontos que travo sem eles saberem, torço normalmente pela testosterona. Sou uma mulher criada entre o campo e a cidade, os cavalos e o Van Gogo: mulher de armas cansa-me, mulher de homens sempre me foi mais útil. E divertido. Dizia, ele engraçado, mas claramente entediado. Desaparece longos minutos para o mar. Deita-se na toalha em silêncio. Ela com a música metida nos ouvidos, o cabelo fio por fio no lugar.. Continuaram sem trocar palavra. Apáticos perante o matrimónio e a vida fora, aposto.
Antes de vir embora, olho-os uma última vez. O saco de praia navy. As asas são cordas brancas. Alvas, imaculadas. O bikini, novo a estrear, não se move um milimetro sobre os ossos da noivinha – “tão linda ía ela”. Imaculado. Ela…céus! Estará ela também sem mácula? Oh querido, fuja! Corra enquanto é tempo!










