Luisinha e o “Com licença”
- Domingo, Abril 25, 2010, 8:00
- Luisinha dixit
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Neste país – e por ventura em todos os outros – não se pede licença. Vai-se por tentativa. Fura-se entre a gente, recorre-se ao cotovelo para acusar a intenção. Pode inclusivamente levar-se alguém atrás na passagem. Mas não se pede licença. Toda a gente prefere enfiar-se numa nesga a abrir a boca.
Numa das minha incursões por grandes superfícies, vi-me perante um mar de gente. Aos encontrões passavam uns pelos outros, todos indiferentes às nódoas negras que certamente lhes deixou a delicadeza alheia.
Tinha duas sobrinhas comigo, horrorizadas com a ideia de entrar naquele jogo do empurra. Decidi mostra-lhes como se faz. Avancei, sem medo, e disse em tom-alto-mas-ainda-civilizado: “Com licença” e o mais importante: um sorriso seguro e carregadinho de “atreve-te a não dar”. Aconteceu magia. Qual mar Morto, abriu-se um corredor, ladeado por caras incrédulas, dir-se-ía, com a descoberta de uma fórmula mágica. Preciosas estas duas palavras. É só isto. “Com licença” ajuda. E evita o hirudoid para as nódoas negras.










