Luisinha e os espirros
- Domingo, Fevereiro 21, 2010, 8:00
- Luisinha dixit
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Bem sei que o Inverno não termina, mas temos de nos organizar. Falo dos espirros. Há toda uma desordem e um desarmonia sem par. Espirra quem quer e não quem pode, espirra-se sobretudo de qualquer maneira. Estava eu tomando não chá, mas água a ferver, que sou alérgica ao frio glaciar que tem feito, quando por pouco não me escaldei toda, tal o salto que dei da cadeira. Era um espirro, senhores, não eram rosas. Um espirro que imaginei ser de um Thor no mínimo, e quando me refiz e me voltei para ver se tudo estava no lugar, verifiquei ser de uma senhora minúscula e de ar frágil.
Mas há mais. Há aquelas pessoas que fazem um som de roedor fofinho e cartoonesco, uma espécie de “ahiif” que nunca se percebe o que é. Gera-se um silêncio e ninguém sabe se dizer “saúdinha” ou “oh…! Mas é a Minnie!”
Podia ser tudo, mas não é. Pior que tudo isto, são aqueles espirros que nunca o chegam a ser. Aqueles que querem sair e a mordaça da vergonha ou do medo de incomodar o próximo impede. Aqueles que saem como um sufoco e apetece salvar não fosse parecer-me que um espirro deve ser coisas viscosa. De entre esses uns terminam num som de alívio que me faz invariavelmente pensar “sobreviveu a uma embolia e nem percebe. Menos mal que não há estardalhaço e posso continuar a folhear a Marie Claire”. E no fim, os que culminam num som semi-suíno, um ronco. Sem comentários, nada a declarar.
Pergunto: que é feito do bom e velho atchim?










