Luisinha e a no phone zone
- Domingo, Novembro 14, 2010, 11:00
- Luisinha dixit
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Tudo isto se passou num longo minuto, tentava eu atravessar uma passdeira. Equilibrava mil sacos de víveres e outros, que Emília me pediu. Eu na dita passadeira, estupenda em polia dota preto e branco – o contraste de padrões, senhores, estonteante – com o tempo limite de equilíbrio pensado para trinta segundos e dá-se o desafio.
Um carro, e eu tão civilizada, à espera de poder atravessar. O carro a vinte, a dez, a cinco! E eu cheia de pressa, “atravesso, não atravesso? Vai buzinar-me? Fico nervosa com buzinas. É para eu atravessar?” Nada, a avantesma lá vinha em marcha lenta, digna de Chopin. Quando o carro finalmente se aproxima, vejo que a pessoa que o conduzia levava os olhos ora na frente, ora… nas mensagens do telemóvel. Atravessei-me à frente, pousei-lhe os quilos de tomate e batata no capot e o meu olhar, cheio de khol, disse tudo: oiça, não faça de mim parva, é impossível que estivesse com atenção a ambas as coisas. Não teve reacção. Minto, teve uma. Fechou o telemóvel, enfiou-o na carteira e prosseguiu quando tirei o refogado em cru de cima do carro.












