Luisinha e a possidoneira dos copos com água
- Domingo, Março 21, 2010, 8:00
- Luisinha dixit
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Estou com Margarida, prima de amiga, sobrinha de não sei quem. Enfim, não desconfio quem seja. Estamos as duas, enquanto quem nos deixou momentaneamente, não regressa. Tomamos um café e esperamos. Desconversamos e desesperamos. Margarida investe sobre empregada: “oh faxavor, era um copo com água.” Fito-a: engraçada no género suburbano polido. Não fala mal, modas do quotidiano aparte. Cabelo longo, cuidado. 100% viscose cobre-lhe o corpo de magro e a carteira de contrafacção embrulha esta encomenda, pronta a entregar para futuro promissor. O pavor: umas unhas de gel divididas na diagonal em cinza e branco, com apontamentos rosa bebé na ponta. Tenho uma náusea e resolvo divertir-me. Digo-lhe que o cesto de fruta não é feito de fruta. Olha-me, sem perceber bem. Insisto, tal como a caixa de lápis não é feita de lápis, mas contém lápis. Não percebe, de que falo eu? Lápis? O copo tarda e Margaridinha, a simples, ataca a rapariga das mesas com a mesma frase uns decibeis e complexos acima. Encosto-me na cadeira e tomo o meu café. Sem açúcar nem água de copos.










