Obituário – Cinzeiro morre de cancro nos pulmões
SALA/MC – António Manuel Cinzeiro, em vidro, quadrado com fissura para quatro cigarros, morreu ontem ao primeiro cigarro do dia com cancro nos pulmões. A notícia apanhou desprevenida a viúva, Elisabete Jarra de Flores com quem Cinzeiro fazia pendant em cima da mesinha da sala. “Nunca pensei que ele terminasse assim. Era tão irrequieto, tão cheio de vida, sempre de um lado para o outro, ora na mesa, ora no chão ora no joelho de alguém… Sempre pensei que morresse partido ou acabasse a servir de tigela para os gatos beberem o leite”, disse Elisabete chorosa, ao nosso jornal. As cerimónias fúnebres já se iniciaram ontem à tarde com a deposição do corpo temporariamente no ecoponto da família, onde está em câmara ardente. Mas ainda hoje será enterrado no meio das garrafas no vidrão ao fundo da rua. Quem o conhecia diz que era um cinzeiro leal, que nunca ia na conversa das beatas e a única coisa que detestava mesmo, eram pastilhas elásticas nos cantos.











